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Perto da minha casa, no tempo em que morei no Pilarzinho, havia uma pequena padaria de esquina. O dono, um simpático senhor de meia-idade, soube criar um ambiente familiar aconchegante e fez do seu estabelecimento o ponto de encontro ideal dos madrugadores.

Como costumo levantar cedo, gostava de ir lá para me abastecer e ficar observando a turma. Os fregueses da primeira hora eram sempre os taxistas que findavam o turno, os operários da construção civil que estavam para começar a jornada e os aposentados do bairro – a terceira idade levanta com as galinhas. Enquanto esperava minha vez de ser atendido, estudava com acuidade o ambiente e seus frequentadores – mania de publicitário. Alguns jogavam no bicho, outros liam jornais e a maior parte tomava a sua média acompanhada por um cheiroso sanduíche de mortadela.

É aqui que quero chegar: pois nada, nem o mais requintado prato, feito pelo mais premiado chefe de cozinha, em determinados momentos, pode substituir o prosaico pão com mortadela. Confesso minha inveja daquela gente simples e dos seus sanduíches de mortadela, fatias cortadas à faca, fartas porções de manteiga e pãozinho crocante recém-saído do forno. Levanto minhas mãos para o céu e peço louvações ao inventor desconhecido do pão com mortadela,

Ainda no setor dos sanduíches populares, outro que adoro é o de bife com queijo, o campeão das estradas do interior brasileiro. Todos com o mesmo sabor: o queimadinho do queijo, a crocância do pão e o salgado da carne. Tantas vezes já me bateu a vontade de pegar a rodovia Régis Bittencourt, andar 200 km, ir às paradas do Petropen ou do Restaurante Buenos Aires, só para comer um pão com bife e queijo e voltar.

Em se tratando de sanduíches, em Curitiba, ainda não foram superados os de pernil de porco com cheiro-verde do Bar Triângulo ou do Cometa.  A carne ficava fatiada, nadando em molho, e na montagem da peça era acrescentado o cheiro-verde picadinho. Acompanhados por chope bem tirado, eles fizeram a alegria gustativa de várias gerações. Como todo bom sanduíche, a porção era generosa, mas na dose certa, nada que prejudicasse a mordida. Sanduíche no prato, só em restaurante ou no serviço de copa de hotel.

Recentemente encontrei dois sanduíches que merecem citação: o de pernil do Restaurante Jacobina, uma mistura leve e saborosa, e o de rosbife, da Panificadora Saint Germain. Vale a pena conferir.

A portabilidade fácil de uma refeição ligeira foi inventada quando o lorde inglês John Montagu – no final do século XVII, na localidade de Sandwich, pediu a um dos seus criados uma “coisa simples e rápida para comer” enquanto jogava cartas.

Hoje, esta facilidade extrapola todos os limites, ouvi o diretor de marketing da Rede Subway, em recente palestra, contar que com as variedades que eles oferecem nas suas lojas dá para fazer seis milhões de combinações de sanduíches. Apesar de gostar dos produtos deles, prefiro ficar com os mais simples, o pão com mortadela, o bife com queijo, o de pernil e o bauru – este último vai ser motivo para um próximo artigo.

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  • Pingback: Anônimo()

  • Delicioso este post, Eloi. Meu avô já se fartava com o sanduba de pernil do Bar Triângulo na Curitiba de 1940, quando era estudante de Medicina. Lá perto de casa abriu há algum tempo uma sanduicheria de respeito, a John Montagu, em homenagem ao inventor dessas delícias.

  • Ler teu artigo na hora do almoco eh brincadeira!!! Grande abraco, nascimento.