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Estava no aeroporto a espera de minha mulher que chegaria num vôo  – já atrasado. Localizei o portão de saída e me postei escolhendo um canto de onde podia enxergar melhor a chegada dos passageiros.

Logo, os movimentos nervosos de uma senhora me chamaram a atenção. Era uma mulher simples, aparentando uns 40 anos,vestida como se houvesse se preparado para uma festa, para algo importante. Mostrava-se agitada, preocupada e portava um cartão, desses com o nome das pessoas a quem devemos esperar e não conhecemos.

Vi quando ela se colocou no caminho da saída dos passageiros e perguntou a um rapaz: “Você consegue ler? Dá prá ver o nome da Helen?” – ele sorridente concordava com a cabeça. Ela voltou para a linha onde ficam as pessoas que ficam nas esperas. Sua aflição era tanta que não parava de falar: “Será que ela já veio? Já desceu tanta gente e ela, nada.” Em dado momento foi falar com a funcionária que cuidava do portão. De perto pude ouvir a conversa: “Moça! – é a minha irmã, Helen, faz 30 anos que não a vejo. Ela vem de Cuiabá, não deixa eu perder ela não. Ela não conhece nada daqui. E eu não me lembro muito bem como ela era, pois nos separamos ainda crianças.”

Ela saiu dali e voltou para a linha dos que esperam e a cada mulher que passava mostrava o cartaz e perguntava ansiosa: “Você é a Helem,  a minha irmã? As passantes se assustavam de início e, logo depois, com um sorriso complacente faziam um não com a cabeça. Aos poucos, todos os que estavam no recinto, começaram a seu preocupar e a ficar com pena da mulher que esperava a irmã, separadas na infância: “E se a Helem não chegar?, deviam se perguntar, porque eu me perguntava a mim mesmo. Os passageiros provenientes de Cuiabá estavam rareando e nada da Helem.

De repente, uma senhora abordada disse que sabia quem era a Helem e contou que ela estava na esteira esperando bagagem. Da porta, por trás dos vidros, a que esperava olhou e reconheceu a irmã – sua ansiedade aumentou. “É ela. É ela sim. Ela chegou”. Nessas alturas todos queriam saber quem era a Helen e como seria o reencontro entre elas. Mais alguns minutos e a esperada apareceu: uma senhora simples vestindo saia longa cheia de pregas, cabelos compridos, quase brancos, portando uma sacola de mão e uma malinha. Rosto enrugado, queimado de sol, tinha jeito de cabocla matogrossense. A mulher nem precisou mostrar o cartaz de escrita tão caprichada, avançou emocionada e se apresentou: “Helen minha irmã!!!” – O que aconteceu em seguida deixou a todos emocionados. As duas, chorosas, se abraçaram durante muito tempo. Passageiros apressados se desviavam educadamente parecendo compreender o drama do encontro. A maleta ficou no chão e o papel deixado de lado. Soltaram-se dos abraços e, embevecidas, passavam as mãos nos rostos uma da outra murmurando palavras inaudíveis. Rescobriam-se, após 30 anos de ausência motivada sabemos lá por quê. Para o pessoal da espera o encanto havia se dissolvido, a vida iria continuar com passageiros chegando a todo o momento. O reencontro parecia ter chegado ao final feliz. Mas para elas, não. Deram-se as mãos e saíram conversando, esquecidas do mundo que fervilhava à sua volta. Entre elas, uma eternidade de assuntos a serem colocados em dia.

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  • Emocionante só de ler, quem dirá para quem assistiu à cena! Já a emoção das duas irmãs, não dá para imaginar…