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Extraídas do livro “A Arte da Sabedoria Mundana”. De Baltazar Gracián – Editora Best Seller

Compilações feitas por mim.

A sorte tem suas regras, e para os sábios nem tudo depende do acaso. A sorte conta com a ajuda do esforço. Alguns se contentam em se colocar confiantes à porta da sorte, esperando que ela aja. Outros são mais sensatos, e a ultrapassam com uma audácia cautelosa. Amparada pela coragem e pela virtude, a audácia espiona a sorte e a adula com vistas à eficiência. Porém, o verdadeiro pensador tem um único plano de ação: virtude e prudência; pois a sorte e o azar se acham na prudência ou na precipitação.

Conhecer a sua estrela guia. Ninguém é tão desamparado a ponto de não ter uma, e se você é infeliz, é porque não a reconheceu. Alguns têm acesso a príncipes e aos poderosos sem saber de fato como ou por quê, e a resposta simples é que a sorte os favoreceu, o esforço apenas ajudou. Outros caem nas boas graças dos sábios: foram mais bem aceitos num país do que em outro, ou são mais conhecidos numa certa cidade. Mesmo entre pessoas de mérito idêntico, algumas têm mais sorte em certas atividades. A sorte embaralha as cartas do jeito que quer. Que cada um conheça sua própria sorte e seus próprios talentos; perder e ganhar depende disso. Saiba segui-la e ajudá-la.

Não tenha dias de descuido. A sorte gosta de pregar peças de vez em quando, e não perderá a oportunidade de pegá-lo desprevenido. A inteligência, a prudência, o valor, até a beleza sempre são postas à prova, pois o dia em que se sentir mais confiante será o do descrédito. A cautela sempre faz mais falta quando é mais necessária, e não pensar é o que nos derruba e desencoraja. Aqueles que nos observam detidamente usam tal estratagema, pegando nossas qualidades ao acaso para submetê-las a um rigoroso exame. Já sabendo os dias de ostentação, a astúcia os deixa passar. Mas o dia em que menos se espera é o escolhido para fazer a avaliação.

Procurar alguém que o ajude a suportar os infortúnios. Nunca estará só, nem mesmo em situações de risco, e não terá de suportar todo o ódio dos outros. Alguns querem assumir o controle de tudo, e tudo o que conseguem é levar toda a crítica. Sendo assim, tenha alguém capaz de perdoá-lo ou de ajudá-lo a tolerar as adversidades. Nem a sorte nem a vulgaridade se atrevem a atacar os dois. Os médicos, tendo errado na cura, não erram em consultar alguém que possa ajudá-los a carregar o caixão. Partilham o peso e o pesar, pois o infortúnio gerado sozinho é duplamente insuportável.

Não desprezar um infortúnio por ser pequeno. Não desprezar um infortúnio por ser pequeno, pois eles nunca vêm sozinhos, mas sempre em cadeia, a exemplo da felicidade. Sorte e azar geralmente são atraídos por onde já se encontram, e não há quem não fuja dos azarados e não se agarre aos felizardos. Até as pombas, apesar de toda a ingenuidade, voam para a torre mais branca. O infeliz não tem nada: carece de si mesmo, de sua razão e de qualquer tipo de consolo. Não acorde a infelicidade quando adormecida. Um tropeço não significa nada a princípio, mas então vem a queda sem fim, fatal. Pois, assim como nenhum bem se completa, nenhum mal se acaba totalmente. Enfrente o infortúnio enviado pelo céu com paciência e do tipo terreno com prudência.

Saber a peça que lhe falta. Muitos seriam pessoas completas se tivessem a peça de que precisam para alcançar a altura do ser perfeito. Alguns seriam muito se prestassem atenção a muito pouco. Alguns carecem de seriedade, o que obscurece grandes talentos. Outros carecem de delicadeza, cuja falta os amigos e a família logo sentem, em especial quando detêm poder. Alguns carecem de iniciativa, e outros, da capacidade de parar e meditar.

Ser autoconfiante. Nos apuros, não existe companhia melhor do que um coração forte. Se for fraco, use os órgãos próximos a ele. Os autoconfiantes agüentam melhor as preocupações. Não ceda à sorte, ou esta se fará ainda mais insuportável. Existem alguns que pouco se ajudam no próprio trabalho, duplicando os sofrimentos por não saberem como suportá-los. Aquele que conhece a si próprio supera sua fraqueza com reflexão, e os sensatos conseguem vencer tudo, até as estrelas.

Avaliar a sorte: para poder agir, e para se comprometer. Governar a sorte é uma arte, seja aguardando-a – pois ela às vezes não se apressa – seja aproveitando-se dela, quando é oportuna; embora nunca vá entender totalmente o seu proceder anômalo. Se a sorte o tem favorecido, prossiga com ousadia, uma vez que ela adora os ousados e, como uma mulher deslumbrante, os jovens. Se é um azarado, não aja. Retire-se e poupe-se de falhar duas vezes. Se a dominou, você deu um grande passo à frente.

Conhecer os afortunados a fim de escolhê-los, e os desafortunados, a fim de evitá-los. A má sorte costuma ter como causa a estupidez, e entre os parias nada é tão contagioso. Nunca abra a porta para o menor dos males, pois muitos outros, maiores, espreitam lá fora. O segredo do jogo é saber descartar. A pior carta da mão vencedora à sua frente é mais importante do que a melhor carta da mão perdedora que você acabou de apostar. Na dúvida, é bom se acercar dos sábios e dos cautelosos. Mais cedo ou mais tarde eles serão afortunados.

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