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Há quatro anos elas estão lá, todos os sábados, religiosamente, desde o comecinho da manhã até o inicio da tarde. São as três senhoras ativas da banca do bolinho de camarão da Praça do Homem Nu. Comandadas por Sônia, uma empreendedora nata, moradora de Guaratuba, que se dá ao trabalho de subir a serra, deixando sua casa por volta das três horas da manhã trazendo peixes e camarões frescos e a farinha de sitio, para nos encantar com seus bolinhos feitos na hora.

Sônia, ao fazer um curso de cozinha comunitária na Emater, redescobriu o velho segredo dos bolinhos de camarão em farinha de mandioca do nosso Litoral. Digo nosso, porque tem moradores de Itajaí e adjacências que vem prová-los sempre que estão em Curitiba. É parada obrigatória, dizem os amigos barriga-verdes.

Descobri por acaso a barraca onde a Sônia, a irmã Sandra e a cunhada Salete dão um show de competência culinária e atendimento. A barraca é animada, tanto por dentro, no vaivém dos preparos e das frituras, quanto pelo lado de fora, pois ali todos se tornam amigos de longa data, apesar de se conhecerem a partir daquele momento. A conversa rola solta e informal enquanto se espera pelos maravilhosos quitutes.

Um dia, passando pela praça senti um cheiro gostoso. Parei para ver o que era e, lá estava ele: o bolinho de camarão que eu adorava comer no bar da Estação Ferroviária de Morretes, quando era rapaz e andava por aquelas bandas. Nunca mais os tinha visto. A memória gustativa falou alto e passei a virar freguês de caderno. Sempre que posso estou lá, faço o meu pedido, sento num banquinho e fico observando o povo ao redor. Os curitibanos são os mais pacientes e educados na hora da espera, comentam elas.

A cozinheira conta entusiasmada: “Camarão fresco, limpo a mão e farinha de sitio são os ingredientes principais e quando o bolinho flutua no azeite é porque está pronto.” Com os bolinhos de camarão, também são servidos bolinhos de siri, camarão crocante, empadão e porções de filé de peixe frito. Se quiser camarão-pistola tem que encomendar com antecedência. E na Páscoa a equipe capricha no estoque porque os pedidos para levar para casa são muitos.

Cada uma delas tem uma observação sobre a clientela. Tem de tudo, gente da noite que acabou de fechar a boemia, doutores, turistas de todos os cantos, americanos, italianos, brasileiros, moradores de rua que ganharam uns trocados e vão fazer uma boquinha e uma turma de angolanos que já são clientes há tempos. Um detalhe, os angolanos chegam em bando, de início traziam seus próprios pratos de louça, comiam e levavam de volta. Hoje, a Sônia se presta a trazer os pratos, servi-los, levar para a limpeza e trazê-los de volta no próximo sábado. São os únicos a serem servidos “no especial” – os demais recebem seus bolinhos em guardanapos de papel. Eu acho que é aí que está o charme.

Segundo ela, a atividade começou em Curitiba há mais de 15 anos. O primeiro ponto foi na Praça Generoso Marques, depois em Santa Felicidade, mas deram certo mesmo foi na Praça do Homem Nu, bem na esquina da revigorada Rua Riachuelo.

Assim, numa singeleza de ambiente familiar essas competentes senhoras ganham a vida e graças as suas boas vontades e prontidão de atendimento alegram os sábados curitibanos. Finais de semana em Curitiba começam bem quando tem bolinho de camarão dando a bandeirada de largada.

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