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Quando Zeus, deus dos gregos, quis punir a arrogância do homem, criou dois castigos: o trabalho e a mulher. Do primeiro, nasceu a necessidade de lavrar a terra, produzir e preparar o próprio alimento. Para tanto, o homem se apropriou do fogo e, por meio deste, inventou o uso das ferramentas. A frase “Comerás o pão com o suor do teu rosto” existe também em outras histórias. O segundo, o da criação da mulher, foi um castigo um pouco mais elaborado. Da argila molhada, Zeus mandou fazer uma figura graciosa e carregada de kháris, isto é, um ser portador de charme infinito. Esta primeira mulher chamava-se Pandora, que, trocando em miúdos, quer dizer todos os encantos. Para sua elaborada criação foi solicitado o auxílio de outros deuses que nela colocaram astúcia, ambição, malícia, eterna insatisfação e o dom de reivindicar sempre. Por causa desses atributos os homens nunca mais disporiam de seus bens com fartura. A partir daí, além de trabalhar, precisariam ser econômicos, prudentes e não gastar mais do que o necessário.

O castigo imposto aos homens chegou a tal refinamento, que nos foi enviada uma caixa que, aberta pela curiosidade de Pandora, libertou todos os males do mundo: o cansaço, a doença, os acidentes e a morte. Mas a maior sutileza deste castigo veio na forma de entidades invisíveis e inaudíveis, chamadas desgraças, que por se moverem eternamente de um lado para o outro, com incrível rapidez, não podem ser vistas e não nos dão a oportunidade de nos prevenir das suas presenças nem de afastá-las. É por isso que, quando menos se espera, sofremos ou caímos em desgraça.

E hoje, depois de tantos castigos, ainda não aprendemos a lição, continuamos arrogantes e pretensiosos frente aos poderes divinos. Acreditamos que somos imunes aos males e às ameaças que nos cercam e que nada de ruim poderá nos acontecer pois, quando estamos plenos de saúde, abusamos, exagerando na alimentação, quase sempre errada, no excesso de bebida, no trabalho em demasia e na transgressão das mais elementares regras da natureza: descanso e movimentação. Não paramos para repousar nem nos levantamos para nos exercitar. Acreditamos ser infalíveis, com saúde de ferro e duradoura e que doenças graves só acontecem na família dos outros.

Somos arrogantes quando nossos rendimentos vão além das nossas necessidades básicas e começamos a gastá-los em um consumismo desenfreado, acreditando que nossos dias de fartura jamais irão acabar.

Arrogantes, quando, drogados ou cheios de álcool, imprimimos velocidade aos nossos carros,cruzando esquinas e sinais fechados, achando que nada poderá nos acontecer. Até parece que nos dias atuais, as desgraças já nem se dão ao trabalho de correr atrás de nós, pois somos nós que as procuramos. Elas adoram ficar perto dos cruzamentos urbanos e das curvas nas rodovias, é só esperar.

Somos arrogantes, quando acreditamos que o nosso bom emprego ou a nossa empresa eficiente e lucrativa são eternos. Que falências, desempregos e tempos de vacas magras só acontecem com os desconhecidos.

Arrogantes, quando abusamos “da regra três” e que, “depois de tantas”, somos abandonados por nossos pares.

Somos especialistas em abusar da sorte e cortejar as desgraças. Achamos que sempre teremos de tudo e que não precisamos nos precaver com nada. Deixamos de pagar nossos planos de saúde, não fazemos seguros, abusamos da segurança, da velocidade e da paciência divina. Fomos acostumados a acreditar que alguém maior tomará conta de nós. –“Deus cuidará; foi o destino que quis.” – é o que mais se vê nas respostas sobre reportagens de tragédias. Ainda não aprendemos que para viver precisamos tomar certos cuidados, pois se deixados a si próprios, os acontecimentos sempre irão percorrer o caminho do ruim para o pior, e a mãe natureza sempre tomará o partido dos defeitos ocultos.

Talvez, por morarmos em um país com tantas riquezas e oportunidades, achamos que o mundo nunca vai acabar. Mas ele acaba, e com isto vem o sofrimento, a infelicidade e o arrependimento.

– “Não tenha dias de descuido, pois a sorte gosta de nos pregar peças, e quando menos esperarmos não perderá a oportunidade de nos pegar desprevenidos.” – disse um sábio filósofo espanhol.

Por isso, quando você enxergar uma desgraça na casa do vizinho não pense mais: – “isto não vai acontecer comigo”. A possibilidade de acontecer é igual para todos. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

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