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A propósito da saída de Ronaldo do Corinthians, hoje, reproduzo artigo que publiquei em 09 de março de 2009 – quando ele  fez o seu primeiro jogo pelo Corinthians – uma partida memorável.

Os povos antigos cultuavam vários deuses. Havia divindade para tudo: plantio, colheita, amores, caça, guerra, paz e, se duvidar, até para dor de dente. O deus do vinho era Baco e a da cerveja Ceres. Do alto das suas moradas: Olimpo para os gregos e Asgard para os vikings, os deuses se comportavam de modo muito semelhante aos humanos. Gostavam de intrigas, caíam de amores por belas mulheres, traíam-se uns aos outros, brigavam entre irmãos e se enfureciam por qualquer besteira, mas gostavam mesmo era de brincar com o destino dos mortais.

Penso que para nós, apreciadores do futebol, torna-se necessário voltar aos velhos tempos e escolher um deus para a nossa causa.

Já sabemos que ele existe e a comprovação se deu neste último jogo Corinthians x Palmeiras. Sua aparição, por força e ato dos pés e principalmente, da cabeça de um jogador chamado Ronaldo, apelidado de “O Fenômeno”, se deu aos exatos 47 minutos do segundo tempo em cadeia nacional de rádio e televisão e foi presenciada por milhões de pessoas.

Não foi a primeira vez que essa divindade deu o ar da sua graça. Já o percebemos centenas de vezes nas jogadas de Pelé, Zico, Garrincha, Kaká e outros carismáticos, isto é, os escolhidos por ele. Uma vez, até ajudou o Maradona, dando-lhe uma mãozinha. Ele sempre aparece quando o futebol apresenta estes momentos de transcendência, magia e encantamento.

Não há dúvida, o futebol é um esporte divino. Deuses não aparecem nos jogos de rugby, basebol, polo aquático, ginástica olímpica ou lançamento de dardo. Nelson Rodrigues, que sabia ver as coisas de outra maneira, já suspeitava da relação do sagrado com a bola. Por inspiração sublime, criou a figura do Sobrenatural de Almeida – uma entidade invisível que interferia nas jogadas, punha a bola para dentro do gol das formas mais inusitadas, parava jogadas feitas e promovia defesas impossíveis.

O filme O Máskara (Jim Carrey) nos mostra Loki, um deus escandinavo brincalhão. Com a máscara colada ao rosto do herói, esse vira um deus sarrista, lascivo que pega pesado com os humanos. Penso em um deus do futebol, assim como o Loki, lúdico, imprevisível, fazendo acontecer o inusitado, defendendo pênaltis e virando jogos nos últimos instantes. Um deus que enaltece alguns, destrói outros, revela o talento de pobres garotos e traz alegria para o povo. Escolher um deus para o futebol se faz mais que necessário. Para que ficar perdendo tempo com Ovnis, ETs e outras crenças? Não se diz por aí que Deus é brasileiro e que ele é fiel? Então deve gostar muito de futebol, senão não interferiria na escalação do Ronaldo nem meteria uma bola nas redes ao apagar das luzes. Só pode ser brincadeira de um ser supremo. Uma última pergunta: o que é que você faz quando o seu time está perdendo? Reza. Então, nesses momentos, vamos rezar para o deus certo – o deus do futebol.

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