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O Império Romano durou quase 800 anos, domínio que se estendia da Grã-Bretanha a boa parte da Ásia e Norte da África. Controlar diferentes povos com idiomas, costumes, leis e religiões diferentes exigia argúcia política, força de armas e, é claro, habilidade e astúcia na comunicação, e neste assunto os romanos foram mestres. Dentre as inúmeras heranças que recebemos deles, sem dúvida a arte da comunicação é uma delas. Muito do que sabemos e usamos hoje devemos a eles e nem nos damos conta.

A sutileza com que lidavam com a comunicação, principalmente na política, é de fazer inveja a qualquer Maquiavel moderno. Moedas circulantes estampavam a imagem do governante de um lado e, do outro, a figura de uma divindade, sugerindo a ligação entre ambos. Desta maneira os imperadores se apropriavam dos predicados do deus cunhado no metal. Poetas e escritores eram contratados para criar histórias de louvação aos mandatários. O general Mecenas, a serviço de Otávio Augusto, criou as bases do que hoje chamamos de mecenato.

Otávio Augusto – que governou por mais de 50 anos e deu origem à dinastia dos césares -, já no início da sua vida política e guerreira teve que se defender de Marco Antônio, bem mais velho e experiente. Marco Antônio disputava o lugar deixado por Júlio César, assassinado recentemente em pleno Senado Romano. Além de querer o cargo, pretendia também se apossar da fortuna deixada por César ao seu sobrinho e filho adotivo Otávio.

Tão logo a disputa entre eles começou, Otávio ganhou uma batalha contra Marco Antônio, mas isto aconteceu longe de Roma. Precisando dar ciência da sua vitória e preparar boas circunstâncias ao seu respeito, Otávio chamou um dos seus generais e pediu que fosse a Roma e desse conhecimento da sua conquista, primeiro à sua mãe – hábil política – e a Cícero, advogado famoso e senador influente.

Ao passar a mensagem ao seu general, foi interpelado por outro de igual patente, questionando: “O que é isso, mandar um general fazer o papel de estafeta?” Otávio respondeu: “No momento em que Cícero vir que é um general que está levando a mensagem e não um enviado qualquer, ele vai levar mais a sério o teor da mesma.” A isto chamamos de “status do mensageiro.” Escolher bem o portador e a hora apropriada para transmitir uma mensagem é tão importante quanto a elaboração do próprio conteúdo.

Na comunicação corporativa e, principalmente, na governamental, é importante escolher bem o portador e calibrar com precisão o disparo da mensagem. É função estratégica e faz parte da expertise do comunicador profissional, ao assessorar quem precisa transmitir notícias importantes, saber cuidar deste assunto. É aconselhável saber antes se o grupo que vai receber a comunicação confia em quem está portando o recado e se ele transmite confiança e tem autoridade sobre o assunto de que irá falar. Alguém com fama de perdulário jamais poderá falar sobre cortar custos e fazer economia.

Dentre as habilidades do comunicador profissional está o saber andar pelos caminhos do poder, reconhecer a importância do domínio da arte da política e da diplomacia. Comunicação em dose errada é igual a remédio, pode não fazer efeito ou matar o paciente.

Escolher bem o porta-voz é uma arte refinada. Não é à toa que Júpiter, o principal deus romano, encarregava outro deus, Mercúrio, para dar os seus recados. E ele desempenhava com tanta competência seu papel que era reconhecido também como o deus dos comerciantes e dos ladrões.

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