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Para tudo na vida você tem que dar um bom nome, até para cachorro.  Se você tem um filhote, que promete ser um bom cachorro, e você der a ele um nome banal, com certeza, com o tempo, ele vai assumir atitudes banais, digna do nome recebido.

O som, o chamado, a vibração da voz irão traçar a linha do comportamento do animal. Ele vai ter o comportamento pertinente ao nome que você batizou. Por isso, muito cuidado ao dar nomes para as coisas, na maioria das vezes, elas farão jus ao nome colocado.

Imagine, por exemplo, se o Titanic não tivesse sido batizado com este nome. Vamos supor  que em vez  de Titanic, o construtor do navio quisesse homenagear alguma pessoa influente da época e colocasse o nome de um Almirante Fulano de Tal, ou de uma autoridade que estivesse em evidência;  por exemplo: Transatlântico “Deputado Inocêncio”,  ou coisa que o valha.

Com certeza não teríamos a bela história. O navio seria mais um velho casco afundado no oceano servindo de viveiro de peixes, algas e corais. Apesar do grande número de mortos, eles seriam esquecidos nas primeiras semanas. As manchetes dos jornais não dariam muita bola para um barco cujo nome fosse o da vala comum. No caso em referência, o nome tem sustentado a história há mais de 70 anos. Já virou dois filmes, musical da Brodway, gerou vários livros, documentários, expedições, produtos de merchadising e milhares de reportagens. Não pelos mortos ou pelo fato, mas por causa do nome.

Afinal o que são 1.5OO mortos na contagem fria das estatísticas dos jornais e dos filmes catástrofes?  Hoje alienígenas verdes e cometas gigantes destróem cidades de milhões de habitantes e o filme não nos diz coisa alguma, tão banalizados estamos com estes tipos de histórias.

No Titanic todo mundo recebeu Oscar, menos a pessoa que inventou o nome. Ela mereceria uma homenagenzinha, uma citação na hora do prêmio. Um amigo me disse que os americanos já não estão dando mais nomes desafiadores para seus  megaempreendimentos, uma vez que todos os grandes bateram na trave. Lembre-se de Challenger (o desafiador), Titanic (titã, o invencível). O velhos gregos já sabiam que os deuses não gostam de ser provocados pelos humanos. Este pessoal da alta tecnologia está aprendendo rápido. Já sabem que não é bom mexer com a turma lá de cima.

A minha lida de homem de comunicação e marketing, já fez passar por minhas mãos dezenas e dezenas de nomes para lançamentos de produtos. E sempre vem aquela dúvida –  será que este nome vai ser bom?

Por mais pesquisa que você faça, sempre fica uma incerteza:

O nome está de acordo com o produto? Bate com o target?

Ele quer realmente dizer o que queremos que ele diga?

Em alguns setores está cada vez mais difícil colocar nomes em produtos. Trabalhei muitos anos na indústria da perfumaria e, de cada 100 nomes que inventava, 110 já estavam registrados. Alguns a gente acertou em cheio. Desceram redondos, Ops, Insensatez, Ravel, Ma cherie, Uomini, etc.

O que mais me angustia em reuniões com o pessoal de produto é vê-los tentando, ali na hora, criar nomes. Ora, nomes não se criam assim, eles vêm do espaço, como um bom poema. Você trabalha, trabalha e quando menos se espera, vem o insight. Nomes não são criados em reuniões ou comitês. A coisa não funciona assim. Às vezes o nome sai em um segundo, outras leva meses de procura até que você feche nome e conceito em uma só direção. Já me debrucei em dezenas de livros de mitologia grega e romana. São a fonte onde todo mundo vai. Já li livros de bruxas, dicionários de termos indígenas. Já andei por caminhos nunca dantes caminhados atrás de um bom nome, alguma coisa que correspondesse ao conceito que o departamento de marketing propunha. Para qualquer produto, primeiro fecha-se o conceito para depois se procurar o nome, e não ao inverso, como muita gente tenta fazer.

Olhem o nome do Pelé. Quer algo mais original, universal? Não vi nenhum nome Pelé, antes do cidadão Edson Arantes começar a marcar os seus gols. O nome fechou direito com o produto. Por isso a marca, instituição Pelé, muitas vezes massacrada e arranhada pela imprensa, vem resistindo tanto tempo.

De tanto ficar angustiado na hora de batizar produtos, lojas, serviços, locais, etc, abri um arquivo no computador e vou colando lá todos os nomes interessantes que vou achando. Algum dia eles irão servir de ajuda na pesquisa de um nome interessante.

Estes dias, li na Advertising Age o anúncio de uma empresa nos Estados Unidos, a Namelab, especializada em pesquisar e dar nomes para as empresas dos outros. São deles os nomes: Acura, AutoZone, Geo, Lumina, TrueVoice, Zapmaiel.

Por enquanto é muito cedo para o nosso país (que antes de se chamar Brasil, teve os nomes de “Terra de Santa Cruz” e era chamado pelos indígenas de “Pindorama” – terra das Palmeiras) ter uma empresa especializada em colocar nomes em produtos e coisas.

Mas, enquanto os especialistas não chegam e você tiver que nominar  seus filhos, cachorros, produtos e serviços, reflita sempre mais um pouco. Você vai ser eternamente responsável pelo nome que você batizar. E muito cuidado com os modismos, nomes de novelas e personagens da moda. Eles são perigosos e morrem cedo. Uma sanduicheira com o nome de “o Engenheiro que virou suco”, por exemplo, hoje não tem a menor graça.

Capriche, quem sabe daqui a uns 100 anos, alguém esteja fazendo um filme sobre alguma coisa, cujo nome foi você quem criou.

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