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Há um belíssimo depoimento do cineasta Akira Kurosawa em que ele diz que até os nove anos era considerado um completo imbecil pela família, pelos colegas da escola e por ele mesmo. Até que um dia o professor de arte pegou um dos seus trabalhos, teceu demorados elogios frente à turma e o colocou em lugar de destaque no quadro de honra.

Kurosawa depõe emocionado que nesta hora sentiu despertar o artista que existia dentro dele e, a partir de então, passou a ser respeitado pelos colegas e pelo irmão que estudava junto com ele. Ele contou o acontecimento à família, que passou a respeitá-lo e, principalmente, ele também passou a respeitar-se a si mesmo.

Sua auto-estima nasceu com o reconhecimento ofertado pelo professor que, talvez, o tenha feito por justo merecimento, ou por enxergar um aluno promissor desvalorizado pelo deboche dos outros. Assim agem os bons professores, sabem oferecer o estímulo das suas falas certas nas horas mais apropriadas.

Kurosawa completa que carregou o elogio pelo resto da sua vida e, sempre que ia dirigir um novo filme, lembrava-se do quadro de honra e fazia de tudo por continuar a merecê-lo. Outro mestre que também reconhece a importância de um conselho é o gênio do teatro Peter Brook que diz dever muito a uma professora que sempre lhe dizia: “Peter, em tudo o que for fazer, vá preparado”.

Se o elogio e o reconhecimento são armas poderosas de motivação, por que criticamos, falamos mal, desfazemos e não reconhecemos as boas ações daqueles que estão à nossa volta? Nas empresas gasta-se muito em campanhas de motivação e nada em campanhas espontâneas de reconhecimento. Cobramos competência, exigimos ações impossíveis e passamos ao largo na hora de dizer ao outro: “Belo trabalho. Estou gostando da sua atitude. Parabéns! Acertou em cheio. Eu me orgulho de você, meu filho, minha mulher, meu amigo.”

Uma vez viajava pelo interior do Paraná com o músico Luiz Gonzaga, o rei do baião. Paramos em uma churrascaria de beira de estrada para almoçar. É claro, por ser celebridade, o seu Luiz recebia tratamento vip. Em determinado momento ele perguntou em voz alta a um simpático garçom, um rapaz dos seus vinte e poucos anos.

“Moço! Você é o dono do estabelecimento, não é?”

“Que nada seu Luiz, eu sou é empregado”, respondeu o rapaz.

“É, mas não vai demorar muito e você vai ter a sua própria churrascaria. Tenho observado o seu trabalho, e você tem tudo para ser o dono do próprio negócio.”

Foi bonito ver o belo sorriso nascendo no seu rosto. Imagine, ser elogiado em público por alguém como o Luiz Gonzaga – o máximo para um rapaz perdido numa churrascaria de interior.

Não sei o que aconteceu na vida dele, talvez tenha mesmo se transformado em dono de alguma coisa, pois a semente do incentivo fora bem plantada. Mais tarde contando este caso para um amigo, que gozava de maior intimidade com o Gonzagão, ele me disse que o músico sempre fazia isto com as pessoas mais humildes, quando elas mereciam. Era uma forma de ir espalhando auto-estima por este Brasil adentro. Pelo tempo que viveu, pelas viagens que fez, quantas vidas deve ter influenciado com suas palavras de elogio e reconhecimento espontâneos?

É isso mesmo, elogio e reconhecimento têm de ser espontâneos, senão não vale. Faça isso na sua empresa, incentive seu pessoal a reconhecer os bons trabalhos uns dos outros. Telefone, passe e-mail, ponha no quadro de honra, e quando for de viva voz, faça-o de preferência na frente da equipe. Com o tempo estas ações irão gerar senso de pertencimento, alegria em realizar as jornadas e, com certeza, mais qualidade de trabalho e de serviço.

Elogio, reconhecimento e senso de gratidão são atitudes nobres que podemos adquirir com o tempo. É só se acostumar. No entanto, tenha cuidado é preciso ser autêntico na ação, pois bajulação e falsidade são percebidas na hora.  E, em se tratando de mestres, outro que não poupava elogios à sua turma era Shakespeare, que disse sabiamente: “Nossos elogios são nossos salários.”

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