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Um amigo gosta de contar esta história: alguém resolve montar um açougue, faz o estoque na base do crédito que o frigorífico lhe dá, vai vendendo à vista e forma, no bolso do avental, um grosso maço de notas. Sempre que pega nesse bolo para dar troco pensa que as notas são suas, o que lhe dá uma sensação de riqueza e poder. Logo começa a gastar por conta e esquece os compromissos assumidos com o fornecedor. Quando chega a hora de pagar o que comprou, não tem outra saída: ou começa a pendurar, pagando apenas uma parte do débito ou faz um empréstimo em cima do outro para cobrir os rombos.

Como o difícil trato com as finanças não se aprende nas primeiras dificuldades de caixa, o dinheiro vai continuar entrando e o nosso amigo  continuará a gastar como se fosse seu. Forma-se um círculo vicioso – a ilusão de possuir dinheiro “dos outros” no bolso e o gasto por conta. Com o tempo ficará tão endividado que perderá o açougue.

Quantas vezes já vimos esta história em escala maior. Empresários bafejados pela Deusa da Fortuna, que criaram prósperos negócios, tão logo começam a gerar riqueza, fazem exatamente como o açougueiro, um verdadeiro delírio de gastos supérfluos e despesas particulares por conta. Adquirem  enormes e dispendiosos apartamentos, carros de luxo, lanchas, chácaras, roupas de grife  e promovem viagens ao exterior para parentes e amigos.

Quem não conhece o caso do novo-rico que compra de uma só vez dois carros de luxo e, meses depois, tem o seu promissor negócio incorporado por um concorrente. Conheci uma empresa familiar de sucesso que foi dilapidada porque as esposas dos irmãos disputavam mês a mês qual delas usava mais o cartão de crédito, por conta da empresa, é claro.

A Fortuna é representada por uma deusa cega, indiferente ao destino dos escolhidos. Qualquer deslize ou descuido faz os ricos de hoje voltarem à classe média amanhã – situação que vai doer muito. O sucesso financeiro sobe à cabeça e muitos não se dão conta que mudanças repentinas na economia podem fazer virar pó, da noite para o dia, os seus prósperos negócios.

A temperança, se existir esta virtude, no Brasil, deve estar bem escondida em alguma cidade do interior mineiro. Sempre que o brasileiro tem um pouco de dinheiro disponível, trata de gastá-lo imediatamente, pois acredita que vai resolver suas dificuldades financeiras com o apoio divino.

Um amigo,  ex-proprietário de empresa de sucesso, e hoje passa por necessidades, me confidenciou que deve a sua situação atual por não ter sido ensinado desde pequeno sobre os segredos do trato com o dinheiro: “Minha família era de classe média e quando me vi ganhando muito dinheiro,  fui gastando à vontade. Não durou muito, é claro. Hoje me arrependo dos gastos desnecessários que realizei.”

A Roda da Fortuna gira: numa hora você pode estar por cima e na outra embaixo. Se houver temperança, você vai ficar lá em cima por mais tempo. Portanto, cuidado no trato com o vil metal, não vá confirmar o que diz a malandragem: “Dinheiro não pára na mão de trouxa.”

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