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O filósofo alemão Walter Benjamin dizia que o mundo precisa tanto de histórias quanto de pão. E é isso mesmo. Empresas e produtos também devem ser hábeis em inventar e contar histórias. Chegam ao mercado diariamente milhares de produtos, muitos deles habilmente desenhados, mas quantos carregam consigo uma boa história? Só fazer o produto não basta. É preciso que ele e a empresa sejam hábeis em explicar a sua existência com uma boa narrativa. É o caminho da emoção que gera o encantamento dos produtos que lançamos.

As antigas culturas indígenas têm muito a nos ensinar. É por isso que ofereço esta belíssima história de design de produtos, a da tribo Huni Kui ou Kaxinauá, como são chamados pelos brancos.

Um dia, há muito tempo, aproveitando que os homens da aldeia estavam fora, caçando em terras distantes, a cobra jibóia, que tinha por nome Yube – que quer dizer encantada no tempo do dilúvio -, se apresentou para as mulheres da tribo Huni Kui, que fica num lugar chamado Rio do Breu,  exatamente, onde hoje é conhecido por Acre.

A enorme serpente falou para as mulheres assustadas: – Não tenham medo. Vim até vocês para ensiná-las a arte da tecelagem.

– Tecelagem, o que é tecelagem? – perguntaram, curiosas.

A jibóia respondeu: com a arte da tecelagem vocês poderão fazer cestas para carregar coisas e não cansarem tanto suas costas. Redes para descansar, dormir e brincar com os seus maridos, e até panos para se abrigar, enfeitar e se fazer bonitas. Pronto, a cobra falara as palavras mágicas. É claro que as mulheres se interessaram pela proposta. E assim, dia após dia, a serpente aparecia na aldeia e, escondida dos homens, ensinava a urdidura e a trama de um novo padrão.

No início, os homens acharam curioso aquele trabalho que as mulheres faziam com tanto empenho, dedicação e capricho.

– Onde vocês aprenderam a fazer isso? – perguntaram.

– Ah! A gente inventa sozinha.

Acharam a resposta estranha, mas deixaram passar, afinal, elas estavam produzindo coisas bonitas, úteis e que agradavam aos olhos. Além disso, quando as mulheres estavam entretidas em fazer tecelagem não ficavam a tagarelar à toa, nem os incomodavam com pedidos fora de hora e propósito.

Mas no vigésimo quinto dia um homem mais curioso descobriu a jibóia conversando com a sua mulher e também o fato de ser ela que as ensinava a tecer. Furioso por ter sido enganado, ciumento das novas habilidades da mulher, num gesto de insanidade matou a jibóia.

É por isso que a tribo Huni Kui, do Acre, tem hoje 25 modelos e padrões de tramas na sua tecelagem e eles são chamados de Kene que quer dizer desenho. Mas preste atenção, se você pegar o couro da jibóia, esticá-lo e contar, verá que ele tem exatamente 25 padrões diferentes de desenhos. E 25 palmos é o tamanho de uma  jibóia quando adulta.

Repost de 23 de setembro de 2010

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  • História muito bonita.

    Será que foi esse mesmo alemão que disse que

    o mundo precisa de histórias pão e "também" de circo? Bom, se foi ele quem deu a ideia, ele só pode ser nazista.

    Muito legal seu blog. Passarei por aqui mais vezes!

    Abraço,

    Helck

    • Quem disse pao e circo foi nero imperador de roma benjamim ao contrario foi morto pelos nazista a 60 metros da sua liberdade.

      Abraço,

      Eloi