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Empresas são seres orgânicos, administrados por seres orgânicos humanos e por isso sujeitos a falhas. Não existe empresa perfeita e, se existisse, seria inviável porque custaria muito caro. Administrar um ambiente corporativo é uma luta eterna, arruma-se de um lado, desarruma-se do outro. E com tantos afazeres e complexidades é comum acontecerem erros. Responsáveis é que não aparecem, pois nestes ambientes é raro que se faça o mea culpa. O culpado será sempre o outro, em geral o mais fraco. Vamos a alguns exemplos.

Quando as vendas estão boas, quase sempre falta matéria-prima e a culpa recai no setor de compras ou no próprio departamento comercial que não soube fazer a previsão correta. Ninguém procura se informar se a turma da produção não alertou a tempo para a falta de um insumo ou componente.

Máquinas avisam que quebrarão com antecedência e, com medo de reprimenda, operários escondem o fato. Perder tempo e dinheiro na administração de crises programáveis é o que mais se faz neste país. Todo mundo tem medo de ser castigado; com certeza, uma herança dos tempos da escravidão.

Pedido entregue errado ou com embalagem rasgada é responsabilidade da logística que contratou a transportadora mais barata, e nunca do departamento financeiro que bateu pé e exigiu o menor custo de frete. Nestes casos, não tendo muitas vezes a quem culpar, aquele que não pode ser encontrado serve como responsável. Freteiros e chapas de caminhão são bodes-expiatórios perfeitos – nunca o pessoal de design que programou uma embalagem fraca, por exigência de “compras” que sempre escolhe o mais baratinho. Custos com devolução, fretes extras e perdas de clientes jamais são computados nesta engenharia financeira às avessas. Encontra-se um culpado que não pode espernear e tudo fica como dantes.

Por outro lado, quando faltam vendas, a queixa sempre recai para o lado dos vendedores e representantes. Ninguém procura saber se é a carência de um sistema comercial ágil e flexível que emperra os negócios. A frase militar “Quem dá a missão supre os meios” não existe em tais empresas.

Sistemas caem, computadores falham, a comunicação emperra e a culpa é sempre da nova tecnologia, nunca dos humanos que os administram. Trabalhar com amadores, com gente mal recrutada e mal paga, ser complacente com o descaso e o desleixo, não é culpa de ninguém. Acionistas precisam de lucros: os fins justificam os meios.

O montador culpa o produto e os gerentes de produtos transferem a culpa para o sistema que, por sua vez, culpa o marceneiro, que reclama do projeto mal-elaborado. O lojista culpa a qualidade do material e deixa a dona-de-casa desesperada porque comprou a cozinha dos seus sonhos e lhe entregaram um pesadelo. A porta não tranca, a corrediça não corre, o bonito móvel que ficou tão bem no projeto, não cabe no espaço real e o montador foi embora sem dar satisfação. Haja paciência com tanto descaso e excesso de culpados impessoais.

O assunto é sério porque, deixados à própria sorte, pequenos erros crescem exponencialmente e, somados, carregam prejuízos ameaçadores. Cuidados a tempo e corrigidos na origem servem de parâmetro para não acontecerem mais.

Fugir da responsabilidade, esquivar-se, jogar culpa em outros e em divindades faz parte dos costumes da sociedade brasileira. Se pretendemos ser globalizados, temos muito que aprender. Exorcizar bodes-expiatórios e bater no peito corajosamente em sinal de mea culpa, reconhecendo erros, é um dos aprendizados. O ambiente empresarial exige firmeza de caráter e coragem para ações, mesmo que estas possam dar errado. É assim que aprendemos: reconhecendo erros e aprendendo com eles. O sucesso tem muitos pais, o erro é órfão de pai e mãe.

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