Blog do Eloi Zanetti – Consultoria, Palestras e Artigos de Marketing, Criatividade e Vendas

Blog do publicitário e escritor Eloi Zanetti. Consultoria, palestras, artigos e tudo o que você precisa saber sobre marketing e vendas. Curitiba – PR | Rua Senador Saraiva 78 | Telefone 3026-0222

  • RSS
  • Linkedin
  • Facebook
  • Twitter
  • E-mail

Se existe gente irritante é o empatador de filas. Aquele cara que, para nosso desgosto, encontra sempre uma maneira de se postar três ou quatro lugares à nossa frente. Ele é tão chato que jamais se posta depois de nós, sempre dá um jeito de chegar antes na fila, só para nos irritar.

Há dias, numa fila de panificadora, lá estava ele: um jovem senhor com duas crianças; pelo comportamento, um recém-divorciado que procurava fazer boa figura com os filhos nos momentos da guarda compartilhada. Tais qual o pai, as crianças eram chatérrimas. O garoto vestia uma capinha de super-herói e se deslocava com má-educação por entre as pessoas. Olhava os balcões e, na ansiedade de guri mimado, não se decidia sobre o que comprar. O pai se apoderou do balcão e hesitava sobre suas escolhas. A fila parou. Como as atendentes ficaram esperando as pessoas se manifestarem e o empatador ocupava o lugar dos pedidos, solicitei às duas mulheres que estavam à minha frente que se deslocassem e passassem à frente do chato, o que ela fizeram com receio. A fila andou um pouco. Tempos depois ele voltou à sua posição inicial e ocupou, por direito de preferência, seu lugar. Oh, céus! Oh, dia! Oh, dor! A fila, que andava vagarosa, com o empatador no caixa parou de novo. Tremi: vai dar algum “pau” no sistema, o cartão dele não vai funcionar ou faltará troco. Que nada, bem na hora do pagamento ele se lembrou que tinha se esquecido de pedir leite de saquinho. E lá foi a moça buscar leite de saquinho para a  figura. E o nosso tempo precioso se esvaindo por causa de um mal-educado egoísta.

Os empatadores parecem se multiplicar às centenas e têm o dom da onipresença. Ora travam os balcões de check-in, ora as caixas em mercados, bilheterias de cinemas e teatro e, pasmem, atravancam até as escadas rolantes. A primeira delas que vi foi na década de 50 e até hoje o brasileiro não aprendeu a usá-las. Nas escadas os empatadores se organizam em duplas – casais de namorados – ou em grupos – famílias ou adolescentes. Em vez de se postarem à direita e deixar a esquerda livre para quem tem pressa, ficam aglomerados como galinhas acuadas. Não sei por que os namorados gostam de ficar se abraçando nas escadas rolantes, parece ser ali o único local do mundo para amassos. Quem quiser ir mais depressa tem de empurrar. Na França passam por cima e te jogam no chão. Eles sabem tratar os empacadores – no empurrão.

Existem os que adoram conversar no momento de ser servirem nos restaurantes a quilo. Em vez de bater papo na mesa, conversam na fila, pegam uma coisa, conversam, pegam outra, reiniciam a conversa e o mundo que se lixe à sua volta.

Existe aquele que para na bomba de gasolina, abandona o carro e pensa que o local é seu estacionamento privativo – 24 horas. Quem quiser abastecer que espere ou vá procurar outro posto. Eu vou para outro posto.

Aliás, faça-se justiça, existem caixas empatadoras: são os funcionários mal preparados e mal treinados que para atender demoram séculos. Muitos são induzidos ao mau atendimento pela falta de apoio da gerência ou dos sistemas da empresa que em vez de ajudar, atrapalham. São tantas as manobras de digitação que o que era para facilitar e induzir a rapidez só faz demorar. Já reparou quanto um funcionário de check-in de aeroporto digita?

Há o especialista em travar filas de pedágio. É aquele que para o carro, destrava o cinto de segurança para pegar a carteira e a abre com toda a calma do mundo. Normalmente, tira uma nota de alto valor e depois de receber o troco, arruma as notas dobrando-as demoradamente. E, para completar, pensa alguns minutos antes de engatar a marcha.

Há, ainda, o empatador de fila de cinema, que chega com a família e só decide a que filme assistir justo na hora de comprar os bilhetes. Ora, esse assunto já deveria ter sido resolvido antes, e para comprar bilhetes que vá uma só pessoa, não um grupo inteiro.

É de se perguntar: num mundo dominado pela pressa, de que adiantam os caros e complexos sistemas informatizados para transações eletrônicas se os “sistemas mentais” dos empatadores de fila são primários?

Minha sugestão: já que temos filas para idosos e deficientes, por que não criar uma fila só para os empatadores de fila? Já pensou? O cara ficaria dois a três dias na fila para ser atendido. Seria um favor que prestaríamos a eles; acho que iriam adorar.

Você poderá gostar também de:

  • Olá Elói entre no meu site e seja um seguidor. Abraços.

  • José Luis

    Sabe que tem razão, o empatador sempre me deixou intrigado(de saco cheio) Vamos criar um atendimento especial para este grupo social.