Blog do Eloi Zanetti – Consultoria, Palestras e Artigos de Marketing, Criatividade e Vendas

Blog do publicitário e escritor Eloi Zanetti. Consultoria, palestras, artigos e tudo o que você precisa saber sobre marketing e vendas. Curitiba – PR | Rua Senador Saraiva 78 | Telefone 3026-0222

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Assisti a um filme onde um rapaz, de uns 22 anos, comenta com os amigos que ele havia ficado “por fora” a respeito de uma música que tocaram em uma festa. Ele havia se sentido velho e deslocado do lugar e do contexto. A turma mais jovem era mais informada sobre as novidades do que ele, apesar de se achar atualizado e inserido nos movimentos musicais. “Cara! Tocaram um estilo musical de que eu nunca tinha ouvido falar.” Exclamou o jovem, assombrado com a sua falta de informação.

Até há pouco tempo, principalmente no ambiente empresarial, as gerações se misturavam numa boa. Cinquentões se misturavam com os de quarenta e estes com os de 30 ou 20 e até com os office-boys. Cada geração sabia o seu lugar e havia respeito entre elas. O ritmo dos dias era outro e dava para acompanhar as mudanças de cenário e circunstâncias. Experiências profissionais eram respeitadas e serviam de base para o aprendizado dos mais jovens. Uma geração passava conhecimento para a outra, como sempre foi.

Hoje o que vemos é uma quase separação entre gerações. Os de cinquenta e sessenta estão saindo naturalmente do mercado. Alguns, entre 40 e 45 anos, estão se afastando compulsoriamente porque não conseguiram acompanhar as novas tecnologias. É comum ver publicitários abandonarem a profissão para abrir pizzarias. Executivos entre 30 e 40 seguram-se nos seus cargos como podem porque atrás deles chega com apetite voraz a turma dos 28, mais bem preparada com seus cursos de mestrados e especializações. E essa turma dos 28, que acha que sabe tudo, já é ameaçada pela turminha dos 20, que acredita saber mais ainda. E muitos sabem mesmo.

A característica da turma mais jovem, os chamados geração Y, é a da pressa. Querem conquistar o mundo de hoje para amanhã. Já nasceram programados para a vida dupla do off e do online e sabem vivê-las como uma coisa só, pois passam em média 11 horas na frente do computador, em ambiente de trabalho.

Ao nascerem inseridos na tecnologia, sabem dominá-la com maestria e assimilam as novas informações com incrível rapidez. Isso lhes dá um handicap considerável sobre os mais velhos. Atari para eles é peça de museu.

Ao ser obrigado a ser eficiente em qualquer parte, o jovem profissional levou o trabalho para fora da empresa e, lá na rua, ele “corre” mais que o sedentário profissional ainda acostumado à hierarquia, inclusive à geográfica, de sua posição.

A mobilização chegou rápida por meio de celulares, ipads e laptops; já não se trabalha mais nas salas dos escritórios. Fazemos reuniões virtuais, recolhemos informações e passamos ordens enquanto esperamos embarques, nos deslocamos em táxis ou almoçamos. Alguns continuam plugados durante as férias e a barraca da praia virou escritório remoto. A possibilidade do trabalho móvel fez com que as hierarquias tradicionais que se apoiavam no contato direto perdessem sentido para o jovem profissional. Fora do ambiente físico, sem as divisões das paredes, vidros, salas, andares e baias eles alçam vôos mais libertários.

Observo uma separação entre as gerações e, de cima para baixo, uma teme a outra. A ameaça profissional dos mais novos é visível. Por outro lado, o que falta em domínio de técnica aos mais velhos, sobra-lhes em vivência comercial, amadurecimento no trato entre as relações pessoais e a malícia que o mundo dos negócios exige.

O que o bom administrador tem a fazer é saber usar essas diferenças a favor de todos. Dos envolvidos e da empresa. Saber segurar a pressa dos mais jovens e a impaciência dos mais velhos. Dispor dos conhecimentos técnicos da moçada e aproveitar as experiências adquiridas pelos erros e acertos dos “idosos”. Nunca o mundo esteve tão interessante de ser observado.

 

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  • Professor,
    é bótimo continuar recebendo teus magníficos textos que são verdadeiras dicas para a convivência humana.
    Cada vez o professor me surpreende mais. Digo melhor: não mais me surpreende, pois de a muito (OU SERIA HÁ MUITO? qual é o certo?) suas atualizações servem para muita gente, como eu, de orientações´pessoais, e até na vida profissional.
    Sempre aguardo com ansiedade tuas mensagens e artigos estimulantes.
    Vou publicar o presente no CORREIO DE NOTÍCIAS DE RONDÔNIA. Posso?

    De novo, obrigado, professor Zanetti.

    a. roque ferreira/PVH-RO

  • PITA BRAGA CÔRTES

    Olá Caro Eloi Zanetti
    O avanço desenfreado das Tecnologias, tanto as Maiores como as Menores,
    correu tanto que a meu ver é principal responsável por essa Diferenciação ou Distanciamento entre as gerações.
    Não dá tempo…tudo prá Já….
    Eu mesmo, NÃO TIVE TEMPO de ter um dia, há pouco tempo atrás, um VÍDEO CASSETE.
    Avançadíssimos DISKETS da informatica são também Peças de Museu.
    Duro é meu filho "Gosar" meus passeios pela Curitiba Velha de Guerra com meu DKW.
    Uai….hoje também é assim….USB, DVD, LED, MSN…..rs rs. Mas confessemos, prá decifrar tudo isso
    tenho que pedir ajuda prá ele. Um distanciamento pesado que sinto, é na comunicação.
    Na informática, ELES fazem 4 coisas ao mesmo tempo, e a coversa nos TALKS fica INTERMITENTE.
    Tive que fazer um Bem delineado ACORDO com meu filho sobre isso….ou seja….
    Iniciou a conversa, TERMINE. Saudações e Parabéns pelas bouas Explanações da realidade em que vivemos.

    • grato Roque – pode publicar sim. o texto é para isso, repartir.

    • Pita o que voce tem a dizer ao seu filho ( mas nao vai adiantar nada) é que "nosso cérebro nao processa duas coisas ao mesmo tempo." grato pelas palavras.

  • Karen

    Oi, professor! Em meio a este contexto inegavelmente verdadeiro fica o desafio da gestão de pessoas na organização moderna. Essa overdose tecnológica não poderá enfraquecer as relações e o contato humano no ambiente de trabalho? Afinal, neste novo modelo, isto é bom ou ruim?

  • Sonia Maria ROuze

    Caro Professor Zanetti,
    Meu nome é Sonia Rouze, tive o prazer de ser sua aluna a mais de vinte anos. Aprendi muito com suas considerações. Percebo hoje, que não mudou suas preocupações nem tão pouco o foco. Estamos vivendo em constantes mutações, na tecnologia e no comportamento humuno e precisamos aprender a viver em constante movimento de adaptação. Eis a questão… aceitar as mudanças e adaptar-se a elas e não resistir. Usar a força pára agregar as alternativas e seguir em frente. Os números de medidas não são mais os anos vividos ou quantas coisas posso fazer, mas sim que resultados temos alcançados e com quem….
    Grande abraço professor, parabéns pelo seu trabalho constante de buscar mudanças…..

  • Karen – esta é a pergunta dos tempos atuais. Li recentemente um ótimo livro chamado – A arte de ser leve da jornalista mineira – Leila Ferreira. ela trata magnificamente deste assunto. a gente tem que fazer a nossa parte. abraços.

  • Caro Prof. Eloi.
    Grande texto! Vejo apenas que isso ocorre em algumas áreas, as que envolvem tecnologia e comunicação, principalmente. Em direito/engenharia/medicina/etc. os jovens precisam estudar/trabalhar muito se querem um lugar de destaque. E nessas áreas a experiência é que conta mais pontos.
    Parabéns.

  • sonia, grato pelas palavras. eu sempre digo: temos que ficar atentos às circunstâncias – circulo, instancia – o que está acontecendo no circulo ao nosso redor neste instante – e nos adaptar à ele e nao brigar contra. abraços.

  • tenho percebido e vivido isso no dia a dia… genial observação!

  • Meu querido amigo Eloi.
    Dando uma circulada pelo seu blog, tive a oportunidade de ler o artigo acima. Bem a propósito. Há pouco tempo escrevi "Navio, Submarino, ou Avião", comentando artigo do Professor Alexandre Freire da FGV – "Geração Navio ou Geração Submarino". O Professor se refere ao grupo da informação que navega em mar aberto, sabe tudo sobre todas as coisas, e o grupo da profundidade (os "idosos" do tempo em que tínhamos de pesquisar a fundo, nos livros, sem Google e Wikipedia para apoiar, nem a net para mostrar tudo em tempo real). Bem, no meu artigo eu incluo um terceiro conceito, o dos "Aviões". É o grupo da geração submarino, que após navegar em profundidade, ganharam as alturas, com uma visão de conjunto, do geral e dos detalhes, que nem "navio" e nem "submarino" conseguem ter.
    É a visão da EXPERIÊNCIA E SABEDORIA, que não haverá navio nem submarino que consiga suplantar, pois só o tempo é capaz de construir.
    Super Abraço e Parabéns pelo seu material sempre de altíssima qualidade!
    WMeiler