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Certa vez o diretor de cinema Win Wenders recebeu uma incumbência do museu francês Georges Pompidou: produzir um documentário sobre moda. A primeira reação do cineasta ao  deparar com o desafio imposto foi “Por que eu? Não sei nada sobre moda.” Logo em seguida pensou: “Tenho um paletó que veste muito bem, é confortável, bonito e elegante. Quem o produziu deve entender muito de moda.” Tirou a vestimenta, procurou a etiqueta e viu o nome Yoshi Yamamoto – um estilista japonês que vivia entre Paris e Tóquio. Seguiu a pista, foi procurar o nome indicado na etiqueta e, por meio dele, produziu um belíssimo documentário sobre processos criativos. Entre as entrevistas com o mestre da costura está a seguinte fala: “Começo a criação das minhas peças tocando, alisando e passando meus dedos sobre os tecidos com que vou trabalhar, depois vem a inspiração e, por fim, o acabamento da ideia. O segredo de tudo, para mim, está nesse acabamento da ideia.” É sempre assim, em todo o trabalho de mestre, seja ele do ramo que for – pintura, cinema, literatura, indústria ou a simples produção de um prato de comida -, a arte do acabamento primoroso estará sempre presente.

No ano passado tivemos o privilégio de ver no Museu Oscar Niemeyer a exposição do brasileiro Vik Muniz, aquele que usa o lixo e material reciclável para produzir suas peças. Ao observar o conjunto da sua obra, seja ela de apropriação do lixo urbano, industrial ou de diamantes, nos damos conta de que o segredo da beleza da sua arte é revelado pelo refinado acabamento. Tudo o que ele faz parece perfeito e no lugar certo. Num país onde o costume é deixar tudo pra lá porque ninguém vai ver mesmo, Vik Muniz tornou-se internacional por causa do esmerado detalhamento de cada produção.

Dá trabalho a eterna busca pelo acabamento bem feito. O artista tem que estar comprometido consigo mesmo de forma visceral. Michelângelo, ao ser interpelado porque demorava tanto nos detalhes invisíveis da Capela Sistina, por aqueles que ficavam longe da vista dos observadores, respondeu à pergunta: “Quem vai saber se a pintura está bem acabada ou não desta distância? Eu vou saber”, disse o mestre.

Na alta costura, a obsessão pelo acabamento perfeito é condição de sobrevivência no mercado. Roupas da Casa Chanel são usadas por décadas. Balanciaga, até seu falecimento, pegava agulha e linha todos os dias e treinava a feitura dos seus pontos. Com isso mostrava às suas costureiras como a perseguição pelo acabamento perfeito deveria ser. Outro obsessivo pelo mesmo tema foi Walt Disney, que chegou a falir sua empresa por várias vezes, tal era sua preocupação com a qualidade final de seus filmes. O tempo passou, suas obras, definitivas, abriram caminho para centenas de outras e mostram à moçada do mundo digital quanto foram importantes os cuidados que tinha com os detalhes mecânicos e óticos na feitura dos seus filmes.

Na literatura são conhecidas as técnicas de alguns escritores  que ficam dias à procura da palavra perfeita, da frase que possa produzir maior efeito e da explicação correta de uma ideia. Hemingway chegou a escrever 400 laudas antes de elaborar o conceito de “O velho e o mar”. Obsessivo com a construção da sua escrita, permanecia horas observando os quadros de outro mestre do acabamento – Cézanne. Nenhuma pincelada desnecessária, admirava ele.

Talvez o mais obstinado exemplo do perfeito acabamento de ideias e produtos dos tempos atuais seja Steve Jobs, da Apple. Sua obsessão por detalhes vai ao limite do tolerável para um ser humano normal. Dizem que trabalhar com ele é um suplício constante. Para Jobs tudo tem de funcionar de modo simples, desde o tirar um produto da embalagem até o clic de um engate qualquer. Assim ele circulou pelos mundos do cinema, dos computadores e da telefonia. Sempre exigindo o máximo de si e dos seus colaboradores. O resultado foi a criação de uma das empresas mais admiradas do mundo.

Ter ideias até que não é difícil, o complicado é colocá-las em prática. Ao agir para que aconteçam, temos de persistir na boa finalização. Por isso, ao entregar um trabalho, pergunte a si mesmo: “Ao assinar meu nome nessa obra, terei vergonha de ser questionado?” Se a resposta for sim, recomece o trabalho até chegar ao acabamento perfeito.

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  • Acho que o artigo tem em sua generosidade criativa a perfeição acabamento. É pena que pessoas que estejam em cargos que outrora permitiram "aprimorar o acabamento" de seus atos e exemplos, não estejam aptos a interpretar e utilizar esta sabedoria/conhecimento em seus afazeres, como nossos lastimáveis políticos, muitos de nossos empresários paranaenses e alguns lideres e formadores de opinião, na mídia e na imprensa em geral! Lembro-me de uma história (acredito ser real) de um Ministro que chegou para ter com o Presidente, após denúncias de irregularidades em seu ministério. O Presidente, após escutá-lo, indagou – Demitido você já está! Eu estou decidindo se você deve ser preso ou não!!! Que sirva de exemplo!