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Nos últimos anos, durante as duas semanas finais de outubro, fico profundamente irritado com o comportamento dos meus vizinhos. É quando passamos ao mundo o nosso atestado de imbecilidade coletiva, de povo sem identidade, fácil de se dobrar aos costumes e modismos alienígenas. São os dias adventícios a esta festa importada chamada Halloween*. Professoras de escolas de inglês e filmes de tevê de quinta categoria trataram de disseminar o assunto entre nossas crianças e, parece que o modismo é irremediável: veio mesmo para ficar.

Costume que vem sendo reforçado pela mídia e por alguns apresentadores de televisão. Nascemos para “macacas” de auditório e ninguém nos tira este destino.

Por que é que o nosso povo, tão rico em festas populares, se submete a esta “coisa” americanizada chamada Dia dasBruxas?  Para eles há sentido na festa, mas para nós que temos festas maravilhosas como, Folia de Reis, Festas do Divino, Juninas, Carnaval, Boi Bumbá, Micaretas, Cavalhadas, Missa Crioula, do Vaqueiro, Iemanjá, Sírio de Nazaré, Nossa Senhora dos Navegantes, Maracatu, Cavalo Marinho, Nêgo Fugido, e tantas outras. O que é que temos a ver com isto? Tenham paciência, raloim não é da nossa história e nem do nosso imaginário religioso. Doeu-me muito ver, ano passado, uma festa de raloim em colégio de freiras. Deus tenha piedade destas irmãs, elas não sabem o que fazem. Será que foi uma exigência mercadológica?

Em minha opinião, a entrega das nossas empresas, bancos, telefonia, estradas e até serviços de lavanderias ao capital e, principalmente, à inteligência estrangeira é bem retratada quando nossas inocentes professorinhas de jardim de infância fazem em suas escolinhas festas de raloim. Uma bela maneira de se criar cidadãos isentos de responsabilidade para com o seu país, costumes e cultura. Breve entregaremos as chaves do Palácio da Alvorada e o tal do raloim passará a fazer parte do calendário oficial da cultura de alguma secretaria estadual. É só ficar quieto e dar tempo ao tempo que alguém oficializará o evento. Se for para entregar o país, somos realmente eficientes, começamos logo por entregar corações e mentes das nossas crianças.

E a minha indignação não fica só com as barulhentas festas das bruxas americanas. Temos algo pior: as modas country e seus caubóis de asfalto, hoje infestados em todas as classes. Do rapagão filho de papai-rico com suas pretensas picapes de fazendeiro de asfalto, aos nhô-boys de bairro, que hoje escrevem frases erradas em seus Chevettes, Brasilias e Passats. Dizem que escrevem errado para provocar. Não, escrevem errado mesmo porque não sabem escrever. Não aprenderam e nem querem se dar ao trabalho.

Nós, com os vaqueiros mais ricos do mundo, em roupas e costumes, gaúchos com suas pilchas, pantaneiros e nordestinos em suas vestimentas de couro, temos que nos curvar a texanos. Nada contra texanos, no Texas.

A ditadura money-moda-mídia continua a tomar conta das nossas rádios e televisões onde, além de imperar a música countryfromNashville, temos que suportar o reggae jamaicano importado por cantores famosos da Bahia, logo eles que estão imersos nos ritmos mais autênticos do Brasil. Valorizaram a música alheia esquecendo-se das suas raízes. Paciência, são coisas feitas por e para uma população que já se acostumou a beber água de outra fonte que não a sua.

Sempre foi assim. Nossos antepassados tupiniquins, não entregaram suas árvores de  pau-brasil, papagaios e peles de onças a troco de panos, miçangas e vidros coloridos?

Breve alguns mitos brasileiros tais como, boitatá e saci-pererê não passarão de lendas remotas, porque os duendes, gnomos e bruxas estão ganhando a “parada”. Eles já têm até lojas especializadas, organizadas em redes de franquias de sucesso. Adesivos como “eu acredito em gnomos” imperam em todos os tipos de carros.

E voltando a falar em raloim, por que será que a nossa mídia dá tanto espaço para este assunto? Por acaso nossos jornalistas, que deveriam defender a cultura pátria, já estariam contaminados?  Recentemente, importantes livros das lendas brasileiras escritos por Clarice Lispector, Moacyr Scliar e ilustrados por Lazar Segal foram editados e não se  falou uma linha deste assunto. Penso que o folclore, a música autêntica brasileira, dança e costumes populares soam para a nossa classe média e para o pessoal da elite como coisas de pobre. Chique e de valor tem que vir de Miami.

Importar boa cultura, bons costumes, tecnologia e novas palavras para nosso vocabulário não é de todo ruim, mas raloim ?!?!  Isto é demais para a minha cabeça!

Merecemos mesmo a pecha de colonizados. E ao que tudo indica, ficaremos neste buraco por muito tempo.

*Halloween significa todas as almas santificadas. É o dia que antecede ao de finados. Festa tipicamente americana.

*repostagem de 29 de Outubro de 2010

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  • Wilson Marques

    Parabéns, Eloi Zanetti!!
    Maravilha a maneira como falas destes modismos alienígenas!!
    Eu, a estas coisas, mando as favas, no más!!
    Abração ö/

  • J. Cardoso

    Não consigo discordar de uma só palavra do texto. Triste mas verdadeiro.