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Sempre gostei de frutas, especialmente de laranjas. Não passo um dia sem comer de duas a três variedades e quando viajo, sabendo que ficarei alguns dias em hotel, trato logo de abastecer o frigobar do quarto com vários tipos. É uma necessidade.

Meu amor pelas frutas vem de longa data, desde o tempo em que as maçãs eram argentinas e vinham embrulhadas em um fino papel azul e só as comíamos quando doentes.

Há pouco redescobri o doce sabor de uma laranja que a turma da alimentação orgânica chama de “laranja do céu” Por que este nome? Não sei. Mas é a velha e saborosa laranja-lima que havia nos quintais das casas das nossas avós. O fruto é de pequeno porte, a casca é grossa, não lisa e meio deformadinha. Ela traz o sabor que todas as laranjas deveriam ter – um doce sabor celestial. Ops! Taí a razão do nome. Acredito que a sábia mãe-natureza já a fez pequena para que pudéssemos degustar várias em uma só sentada.

Aprecio outros tipos de laranjas, até as comerciais, dessas que encontramos empilhadas nos supermercados. Elas são lisas, limpas, brilhantes e perfeitas. Mas nada se compara ao gosto da laranja do céu que encontro todos os sábados na Feira de Orgânicos do Passeio Público, local que recomendo. Se aceitar minha indicação, experimente também a banana orgânica que, por não passar pelo processo do amadurecimento forçado, nem carregar a genética modificada dos cruzamentos, apresenta-se mirradinha e quase sem expressão estética. Caipirinha mesmo, como eram as bananas de antigamente. Sabe qual é o gosto? O mais puro e delicioso gosto de banana.

Por mais que tente me entender com as frutas, a cada estação faço uma nova descoberta. Há pouco entrou no mercado a deliciosa lichia que se adaptou bem ao nosso clima subtropical. Estava escondida na China, onde reinou por séculos, e foi a tal da globalização que nos aproximou dela, assim como dezenas de tipos de frutas e legumes alcançaram o mundo na época dos grandes descobrimentos. Outra fruta que vem fazendo sucesso é o kiwi, que se adaptou bem ao nosso clima mais frio. As mangas ganharam status, ficaram maiores, mais bonitas e carnudas.

Conversando com um amigo descendente de árabes ouvi: “O povo árabe adora frutas. Sabe como ele as compra?”, emendou – “Ele namora a fruta antes de colocá-la na sacola. Apalpa, vê a cor, a textura, bate com os dedos, conversa com o quitandeiro, volta, apalpa de novo, cheira profundamente e só depois decide se ela está boa. Sem esse ritual, árabe que é árabe não compra frutas.” Foi depois dessa conversa que comecei a entender porque é que existem tantas lojas de frutas nas mãos dos árabes. A convivência deles com elas é antiga. Lendo “As Mil e Uma Noites” encontraremos dezenas de citações de pratos de frutas servidos em recepções ou banquetes.

Voltando ao assunto “laranjas”, uma boa recordação é de uma turma de senhores que disputava saber quem era o mais hábil descascador de laranjas e conseguia tirar a mais longa fita de casca. Era assim: meu pai conseguia com os operários da Rede Ferroviária pedaços quebrados de folhas de serras de trilhos – um dos melhores aços para fazer facas -, ia ao esmeril e transformava aquele pedaço de aço em facas, dando-lhes um formato particular, quase igual a uma faca de sapateiro. Depois as distribuía entre os velhos da vizinhança – ali na rua Conselheiro Laurindo, atrás da Rodoviária velha. Cada um tinha o seu segredo para terminar o acabamento final na afiação da peça. Depois se sentavam em bancos, escolhiam demoradamente suas laranjas e começavam o torneio. O recorde, se me lembro bem, foi do Sr. Adauto, que conseguiu tirar quase três metros de um fio bem fino que ficou gloriosamente estendido a tarde inteira no chão da oficina. Um dia apareceu no mercado um aparelho que rolava a laranja em torno de um eixo e uma faquinha cortava a casca em tiras. Um velhinho mais esperto comprou um e sem que os outros soubessem descascou uma laranja com muito cuidado, levou-a no bolso e na hora do campeonato apresentou sua proeza. Espanto geral. Como? Como conseguiu essas tiras tão uniformes? Considerava-se vitorioso com o engodo até que um mecânico chegou e, não sabendo da farsa, disse: “Ora, esta tira é de uma máquina que descasca laranjas. Vi isso numa barraca lá na frente do campo do Coxa.”

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  • Valmir

    A laranja do céu realmente tem um sabor divino, entretanto, por razões comerciais, ela foi substituída nas plantações pela laranja pera.
    O motivo é a enorme quantidade de sementes na laranja do céu… que são inexistentes na laranja pera.
    Além disso, a laranja pera pode ser colhida com a casca ainda verde, durando mais tempo.
    A laranja do céu… fica coma casca cheia de pintinhas… e é muito atacada pelos pássaros devido ao seu sabor…. e daí vem o famoso… sabiá da laranjeira…