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Por questões de agenda, conforto e praticidade, tenho trocado alguns “almoços de negócios” por “cafés de negócios”. É simples: marco reuniões em boas padarias, ao final da tarde, para conversar com meus clientes e parceiros sobre projetos, vendas e andamento de trabalhos. Hoje, existem bons estabelecimentos onde se pode sentar, ficar à vontade e pedir variados tipos de sanduíches, sucos e doces. A minha escolha é sempre a velha média com misto frio. Na saída, ainda compro o francesinho para levar para casa. Com isso, ganho tempo e faço a refeição da noite mais cedo.

O ambiente familiar e informal das padarias deixa as pessoas mais espontâneas e, em consequência, as conversas correm mais soltas. Nada de pedidos demorados, complicações com cardápio e exibições de “enochatos” na escolha de vinhos.

É claro que faço isto com pessoas com quem tenho intimidade e que conhecemmeu estilo. Não costumo convidar clientes novos ou muito formais para reuniões em padarias. Mas acredito que, se os convidasse, muitos adorariam.

O ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, saía todas as manhãs para vistoriar obras e, antes de chegar à Prefeitura, passava por uma padaria de bairro onde, com o motorista e algum auxiliar, tomava café com pão e manteiga. Fazendo isso, por gosto e conveniência, aproveitava para conversar com populares e ouvir diretamente dos interessados sobre as necessidades do bairro.

O conceito de padaria mudou muito nos últimos tempos, algumas se transformaram em verdadeiros centros de negócios e, conforme a cidade, abrigam diferentes tipos de atividades: cafeteria, pizzaria, revistaria, loja de conveniência, pequenos restaurantes, têm acessibilidade para web, estacionamento com manobristas e funcionamento 24 horas. Se duvidar, vendem até pãozinho francês. E este, aos poucos, perde seu posto de carro-chefe de vendas e de principal atração. Hoje, existem pães com ervas, grãos, multimisturas e étnicos para todos os gostos: italianos, alemães, portugueses, indianos, árabes, argentinos e até australianos. É a globalização tomando conta do sacrossanto lugar de se comprar pão.

No entanto, mesmo em padarias, bares e botequins existem procedimentos ritualísticos sobre o trato de negócios à mesa. A experiência recomenda escolher um estabelecimento de fácil acesso e com estacionamento, além de ser pontual e não se esquecer de levar cartões de visitas, bloco de anotações e canetas. Devemos também preferir ambientes que permitam privacidade para que a conversa se desenrole à vontade – as mesas devem guardar distância umas das outras, para que a nossa a conversa não seja ouvida por estranhos – em negócios, sigilo é fundamental.

Nas reuniões onde os interlocutores não se conhecem bem, a conversa precisa esquentar um pouco, antes de entrar no assunto principal. Nestas ocasiões, conversa-se sobre tudo: família, futebol, esportes, hobbies, empresas e um pouco de si mesmo. O clima de sondagem mútua é necessário como introdução ao objeto da reunião e, uma vez dentro dele, é melhor ouvir mais do que falar. Por mais ansioso que se esteja para fechar um negócio, cuidado com o excesso na exposição dos motivos, pois poderá perder o senso de timing, entregar o ouro antes do tempo, lembrar ao outro sobre a concorrência e soltar informações desnecessárias. E, em se tratando de valores, siga o conselho árabe: não seja você o primeiro a falar de preços.

Ainda não existem livros sobre “etiqueta nos negócios à mesa de padarias”, mas alguns cuidados básicos e regras de boas maneiras devem ser tomados. Não é por estarmos em um ambiente informal que podemos relaxar no trato social. Percebe-se se uma pessoa é educada ou não pela sua maneira de se comportar à mesa. Já vi candidatos a altos cargos serem refutados e algumas carreiras estacionarem porque seus protagonistas não sabiam se comportar com dignidade em reuniões à mesa.

E lembre-se: a palavra “companheiro” é originária de “cum panis” – aquele que reparte o pão.

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  • Luiz Alberto

    Eloi,

    Gostei muito de seu texto. Até porque me identifico com este tipo de reunião conversa em bons ambientes descontraídos.
    Deixo meu abraço, com votos de um excelente 2012.

    Beto
    Luiz Alberto Lenz César