Blog do Eloi Zanetti – Consultoria, Palestras e Artigos de Marketing, Criatividade e Vendas

Blog do publicitário e escritor Eloi Zanetti. Consultoria, palestras, artigos e tudo o que você precisa saber sobre marketing e vendas. Curitiba – PR | Rua Senador Saraiva 78 | Telefone 3026-0222

  • RSS
  • Linkedin
  • Facebook
  • Twitter
  • E-mail

Artigo que escrevi para a segunda edição da Revista Batel Lifestyle (pág. 46). Você pode ler a revista na íntegra clicando aqui.

 

Aproveito os finais de semana, sempre que disponíveis, para trabalhar no jardim. Nessas ocasiões, quando o serviço é pesado, contrato o Jorge, um ajudante faz-tudo, que adora trabalhar comigo porque a gente executa as tarefas brincando. Num dia desses podávamos algumas árvores e, enquanto ele cortava os galhos maiores, eu levava as folhagens para fora, empilhando-as na calçada – a Prefeitura de Curitiba é competente no quesito recolha desse tipo de material.

Quando arrumava o monte, vi um homem correndo em minha direção. Atualmente, o ser humano é ameaça e alguém correndo em nossa direção suscita cuidado. Postei-me na defensiva e fiquei esperando. O moço, que deveria ter cerca de 30 anos, veio apressado e parou perguntando de chofre: “Você sabe me informar onde fica a casa de apoio?” A pergunta estranha me pegou de surpresa – apoio de quê? Num relance pensei nos Alcoólicos Anônimos, que mantêm duas casas no meu bairro, mas ele foi logo dizendo: “Uma casa que fornece refeições, café e pão para as pessoas necessitadas.” Lembrei-me de uma e indiquei a direção. Ele nem esperou para ouvir o final da informação e saiu em disparada do mesmo jeito que viera. A figura e a pergunta inusitada me deixaram intrigado. “Qual seria o motivo de tanta pressa? Fome? A casa teria hora de encerrar?” Mas não eram nem 9 horas da manhã de domingo. Se ele esperasse um pouco mais, talvez eu pudesse lhe oferecer café e pão. Mas não, como um cometa que passa e vai, o homem saiu em disparada. Continuei meu trabalho, mas a imagem do estranho que procurava uma casa de apoio ficou na cabeça. Será que somos assim tão ávidos por apoio? Comecei a brincar com a palavra e suas derivações.

Que tipo de apoio precisamos? Médico, escolar, familiar, financeiro, psiquiátrico, de segurança? Jogadores de futebol contam com o pé de apoio para fazer suas jogadas. Sem o apoio da torcida times fracassam.  No ioga tudo é apoio. Engenheiros convivem com o tema o tempo todo e até sabem calculá-los. A especialidade do calculista, quando bem feita, não deixa a casa cair. Músicos, artistas e atores vivem reclamando que o governo não dá apoio à cultura. Jovens precisam do apoio dos familiares e dos amigos. Escolas precisam do apoio das comunidades. Pobres precisam e exigem apoio. E os políticos, mais do que ninguém, precisam de apoio para suas causas. Sem apoio não há voto.

A mitologia japonesa nos diz que o mundo está apoiado nas costas de uma tartaruga; a hindu, na de um elefante; a yogui, numa serpente, e a grega, que estamos apoiados nos ombros de Atlas.

Mas e você? Precisa de algum apoio? De que tipo? Lembra-se de alguma vez em que precisou de amigos ou familiares e não encontrou? Pois é, todos nós precisamos de apoio e o bom amigo é aquele que percebe nossas necessidades e oferece ajuda sem ser solicitado. Atento, sabe a hora da doação e esta será mais elegante se chegar de forma discreta. Para muitos, a ajuda, mesmo de amigos, é motivo de constrangimento. E o melhor oferecimento de apoio que já ouvi foi este: “Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora.”

Você poderá gostar também de: