Blog do Eloi Zanetti – Consultoria, Palestras e Artigos de Marketing, Criatividade e Vendas

Blog do publicitário e escritor Eloi Zanetti. Consultoria, palestras, artigos e tudo o que você precisa saber sobre marketing e vendas. Curitiba – PR | Rua Senador Saraiva 78 | Telefone 3026-0222

  • RSS
  • Linkedin
  • Facebook
  • Twitter
  • E-mail
Garibaldis & Sacis Carnaval em Curitiba

Curitiba e Blumenau foram as últimas cidades brasileiras em que se trabalhava nas segundas-feiras de carnaval. Vivi isso quando piá e boa parte da minha vida de adulto. Enquanto o Brasil se esbaldava e emendava feriados, nós, aqui, ficávamos no batente, sérios, compenetrados, falando mal da pouca vergonha dos baianos e dos cariocas e, ao mesmo tempo, morrendo de inveja dos mesmos.

Nossos bisavós vieram fazer a América, ganhar dinheiro e voltar para suas terras de origem, o que não deu muito certo, a maioria foi ficando, constituindo família, misturando-se com os outros de sonhos parecidos e alguns enriquecendo. Com o tempo foram se moldando ao jeito brasileiro de ser. O tropicalismo sempre vence.

É claro que o nosso biotipo misturado a um quarto de cada etnia: alemã, polonesa, italiana e ucraina não favorece o movimento da pélvis, do gingado e do bailado mais ritmado. Somos bons em esportes onde se necessitam de músculos duros, ossos consistentes e pouca articulação, deve ser por isso que daqui saem os grandes campeões das lutas de vale-tudo – MMA. Quanto à espontaneidade, tão necessária ao carnaval, nem pensar, o curitibano só se solta entre quatro paredes e sozinho.

A cidade, avessa ao carnaval, estranhamente abrigava no antigo Clube Operário, os primeiros bailes de travestis do Brasil. Muito antes do Gala Gay do Rio pensar em existir, já nas décadas de 1950/ 60, travestis de todo o Brasil aportavam por aqui para mostrar as suas artes e partes. A sociedade curitibana, fechada, curtia e comentava por trás dos panos a festa da moçada. Os homens deixavam a sagrada família na praia, vinham ao baile e tratavam de se esconder dos repórteres e fotógrafos. Sair nos jornais pulando no Baile do Operário era desquite na certa, na época ainda não existia o divórcio. O programa de muitos era ficar na porta da Delegacia de Policia, na quarta-feira de cinzas, ali atrás do Prédio da Saúde Pública para ver a soltura daqueles que foram presos por excessos nos poucos bailes de salão que a cidade oferecia.

Carnaval de rua em Curitiba é assunto para sociólogo estudar. A cidade séria que só se esbaldava nos salões, hoje prefere as praias e diz não à folia no seu espaço urbano. O nascente movimento no Largo da Ordem chamado Garibaldis & Sacis a cada ano toma corpo, curitibanos tímidos de mãos dadas com os neo-curitibanos despontam como uma boa promessa.

Por outro lado, vemos a cada ano a cena se repetir: as poucas escolas de samba da cidade esmolando verbas oficiais e tentando fazer renascer o que nunca nasceu – o carnaval de rua curitibano. Os fotógrafos que costumam documentar o fato – fotografar o exótico – nos mostram cenas patéticas de pierrôs mal ajambrados, colombinas branquelas e pouco público nas arquibancadas. Quase sempre em meio a adereços pobres, pouco expressivos e largados em meio a uma garoa intermitente. Dizem que a sabedoria é nos aceitar como somos e procurar viver de acordo com as nossas limitações. Está na hora de nós, curitibanos, dizermos com coragem: “Carnaval! Não somos do ramo”, e explorar o turismo para aqueles que não gostam da folia, e olha que o público é enorme. Devemos aceitar a realidade: já existe carnaval demais em todo o Brasil. Vamos ser diferentes: aqui não. Dados oficiais confirmam o óbvio, a cada ano cresce o número de turistas que aportam em nossa cidade para se esconder dos barulhos dos surdos, tamborins, chocalhos e cuícas.

Você poderá gostar também de: