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André Meijer é um ambientalista e amigo que mora perto de Antonina. São primorosas as suas observações sobre a natureza.

É de um refinamento que dá inveja. Já falei dele aqui, quando falei de “é preciso observar os sinais.

Hoje ele me mandou suas primeiras impressões sobre o inicio do outono, e com sua anuência, quero reparti-las com vocês:

Antonina, 21 de março de 2012

Caros amigos,

Segundo o calendário o outono começou ontem. Mas na natureza a mudança verão-outono está em andamento há algumas semanas. Apesar da temperatura do dia permanecer como se fosse verão, as noites estão ficando mais frescas.

O início do outono está se manifestando de muitas maneiras ao redor da minha casa. Do fim de fevereiro ao início de março houve uma grande safra de maracujá-de-comer: este ano colhi quase dois baldes cheios. Este fruto alcança 4 cm de diâmetro, tratando-se da forma silvestre. Atualmente está acontecendo aqui a principal safra de acerola e para mim o frutinho delicioso veio no momento exato para combater a gripe.

Através das anotações, descobri que me resfrio em anos alternados na passagem do verão para o outono: este ano a data em que a gripe se manifestou foi 12 de março, enquanto a data média deste evento tem sido 28 de março (período de 2004 a 2011).

Nestes últimos dias os bugios-ruivos da redondeza estão vocalizando intensamente, dando assim o seu bem-vindo ao outono. Também para eles esta nova estação trará muitos frutos e temperaturas diurnas mais suportáveis.

Os indivíduos do sapo-ferreiro que dividem comigo o topo do morro entraram na piscina e cantaram pela última vez na noite de 4 de março e a partir daí se recolheram e devem permanecer calados até o fim do inverno.

Apesar dos dias continuarem quentes e ensolarados, já faz alguns dias que não vejo mais os indivíduos do teiú que vivem em volta da minha casa. Creio que estes também já se entocaram para o inverno.

Ao lado da minha casa tem um lindo pé do eupatório e há seis anos seguidos anoto a data em que as suas primeiras flores se abrem: este ano foi em 14 de março. A data mais precoce deste evento foi 13 de março (2010), a data mais tardia foi 21 de março (2011) e a data média é 17 de março (período 2007-2012). Continuo me impressionando com a constância dos eventos relacionados à fenologia!

De um congênere igualmente abundante na região, o cambará-falso, as primeiras flores se abriram este ano em 13 de março na proximidade de minha casa, enquanto nos últimos seis anos a data deste evento tem variado entre 10 de março (2009) e 26 de março (2011).

Visitando o litoral daqui a duas semanas você encontrará a beira das estradas lindamente vestidas de lilás e violeta-pálida, devido à florada farta deste eupatório e cambará-falso e também de uma terceira, mais abundante ainda: o assa-peixe.

Na cidade de Antonina, o assa-peixe costume florescer um mês mais cedo do que nos arredores da minha casa. Neste momento, em Antonina as flores desta planta estão começando a se abrir (antes de ontem vi alguns ramos dela já com a florada acabada), mas em volta de minha casa isto geralmente acontece na metade ou fim de abril. A florada de assa-peixe dura pouco: acaba por completo na primeira metade de maio. Mesmo assim, entre todas as plantas do litoral é o néctar desta espécie que consegue atrair o maior número de borboletas: 115 espécies!

A quarta asterácea arbustiva comum, na beira da estrada com flores muito atrativas para borboletas e florada restrita ao outono, é a cambará. As suas primeiras flores (brancas) estão se abrindo exatamente neste momento.

Para as borboletas o outono do litoral representa o carnaval do acasalamento. Há dois dias, durante a minha caminhada habitual pela estrada de ferro abandonada em Antonina, ficou bem visível o início do outono: encontrei 30 espécies de borboletas (inclusive seis hesperiíneas, não identificadas), visão que só teremos num mês inteiro de verão e menos da metade do que possamos ver num único dia do fim de abril ao início de maio: o auge da festa de casamento.

Os transeuntes das estradas do litoral, em momentos de sol, poderão assistir ao voo do magnífico Morpho todo azul: este ano o seu voo começou em 15 de março. Alias, é nessas horas do dia que os répteis tomam banho de sol e em minhas caminhadas pela APA de Guaraqueçaba continuo encontrando indivíduos atropelados. Assim, sugiro que não deixem de vir à festa das borboletas, mas que venham a pé ou de bicicleta.

No que se refere às aves e aos seres humanas, o outono é a época da partida dos residentes-do-verão e da chegada dos visitantes-do-inverno. Do primeiro grupo já partiram do litoral a tesourinha, o gavião-tesoura e os estudantes, enquanto do segundo grupo estão para chegar aqui o príncipe com a sua princesa e os buscadores de conchas, inspiração e paz que preferem encontrar na praia deserta.

Desejo a todos um lindo outono e não se esqueçam de comer feijão, para se proteger da gripe.”

André

Plantas e animais mencionados nesta carta:

assa-peixe (Vernonanthura beyrichii)

bugio-ruivo (Alouatta guariba)

cambará (Austroeupatorium inulaefolium)

cambará-falso (Chromolaena laevigata)

estudante (Homo sabiens)

eupatório (Chromolaena odorata)

gavião-tesoura (Elanoides forficatus)

maracujá-de-comer (Passiflora edulis)

príncipe (Pyrocephalus rubinus)

sapo-ferreiro (Hypsiboas faber)

teiú (Tupinambis merianae)

tesourinha (Tyrannus savana)

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