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Mais vale um ócio do que um mau negócio

Mais vale um ócio do que um mau negócio

Meu amigo Geraldo Cavalcante me envia o texto abaixo baseado em um livro escrito por Bertrand Russel em 1935. Quero reparti-lo com vocês.

 “Os abricós começaram a ser cultivados na China durante a dinastia Han. Tempos depois foram levados para a Índia e mais tarde para o atual Irã, até chegarem finalmente a Roma. Russel nos revela também que a etimologia da palavra “abricó” remete a mesma raiz latina de “precoce”, devido ao fato de a fruta amadurecer cedo. O “a”, no entanto, foi acrescentado por engano.”

Conforme a análise de seu editor, Russel utiliza este exemplo para mostrar como “o conhecimento pode tornar a fruta mais doce, aumentando e enriquecendo a nossa experiência com um sentido de alegria que, sem ele, estaria talvez ausente. Mesmo que aparentemente trivial, pode proporcionar às pessoas um imenso contentamento.”

O ócio segundo Russel seria uma espécie de “atitude mental contemplativa”, tornando as pessoas menos despreocupadas, menos sisudas, divertidas e de certa maneira – de bem com a vida.

A diversão denota despreocupação com as pressões do dia-a-dia e, para o adulto, gera uma autoexpressão de seu contentamento. Hoje não temos tempo para buscarmos a cultura “inútil”, pois, somos prisioneiros de uma espécie de “culto da eficiência”, que “só valoriza o conhecimento pelos benefícios econômicos e pelo aumento do poder sobre as outras pessoas que ele pode proporcionar.” Trata-se, portanto de uma visão “instrumental” do conhecimento, esta que despreza as usas razões subjacentes.

Segundo Russel, o ócio pode propiciar a capacidade de relacionar idéias abstratas com fatos concretos. Que se trabalha demais no mundo de hoje, que a crença nas virtudes do trabalho produz males sem conta e que nos modernos países industriais é preciso lutar por algo totalmente diferente do que sempre se apregoou.

Para Russel existem dois tipos de trabalho: primeiro o que modifica a posição dos corpos na superfície da terra ou perto dela, relativamente a outros corpos; segundo, o que manda que outras pessoas façam o primeiro. (Na física T= f x d, T = força vezes distância). O primeiro tipo é desagradável e mal pago, o segundo é agradável e muito bem pago.

Ele diz que a moral do trabalho é uma moral de escravos, e o mundo moderno não precisa da escravidão.

A técnica moderna tornou possível a drástica redução da quantidade de trabalho necessária para garantir a todos a satisfação de suas necessidades básicas. A guerra demonstrou claramente que, por meio da organização científica da produção, uma pequena parte da capacidade de trabalho do mundo moderno é suficiente para que a população desfrute um nível de conforto satisfatório.

A ideia de que os pobres devem ter direito ao lazer sempre chocou os ricos.

Se o assalariado trabalhasse quatro horas por dia, haveria bastante para todos, e não haveria desemprego – supondo-se uma quantidade bastante modesta de bom senso organizacional. Esta ideia choca as pessoas abastadas, que estão convencidas de que os pobres não saberiam o que fazer com tanto lazer. Os trabalhadores só experimentam o ócio na forma do castigo do desemprego.

O uso judicioso do lazer é produto de civilização e da educação. Sem uma quantidade adequada de lazer, a pessoa fica privada de muitas coisas boas.

 Indivíduo trabalha pelo lucro, mas a finalidade social de seu trabalho reside no consumo daquilo que ele produz. O divórcio entre fins individuais e os fins sociais da produção é o que torna tão difícil pensarmos com clareza num mundo em que a busca do lucro constitui o único incentivo ao trabalho. Pensamos demais na produção e de menos no consumo.

Os prazeres das populações urbanas se tornaram fundamentalmente passivos: ver filmes, assistir a partidas de futebol, ver televisão, seguir novelas e etc. isto ocorre porque as energias ativas da população estão totalmente absorvidas pelo trabalho. Se as pessoas tivessem mais lazer, voltariam a desfrutar prazeres em que participassem ativamente.

Enfim, sua tese em favor do ócio passa pela diminuição da jornada de trabalho. E ócio, é sinônimo de oportunidade de melhorar a qualidade de vida na forma de despreocupação quanto à pressão que exerce os deveres do trabalho sempre numa jornada relativamente longa, cuja motivação sempre é o lucro e o consumo obsessivo.

Geraldo Cavalcante – físico

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  • Andrei

    boa análise.
    ….e fico pensando sobre a crise "europeia" com o seu desemprego, e na maior parte em razao de uma China onde a relaçao de escravidao resolveu imperar.
    quem hoje vai ter coragem de experimentar o ócio entre uma Europa que nao consegue mais girar a sua economia e uma "China "que vai pisando em todos?
    Em outras palavras, bilhoes trabalhando como escravo, produtos a preços baixos, desemprego aos compradores, e menos ócio e menos bem estar.