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Certa vez, a pedido de uma amiga, coordenei em um jardim de infância um debate entre pais. Para minha surpresa, a maior preocupação deles, naquele momento, era: “O que será do meu filho? Será que passará no vestibular?” Ora, a criança nem bem havia começado a vida escolar e os pais já se preocupavam com o vestibular. Lembrei-me da música “Whatever will be, will be / que será, será…”, cantada por Dóris Day no filme de Hitchcock “O homem que sabia demais”.


Em seguida pensei: “Quais habilidades estas crianças deveriam incorporar para estar aptos a entrar no mercado de trabalho daqui a 20 anos? Parece cruel, mas a vida é prática. Pesquisei em diversas fontes e repasso.

Eles precisarão desenvolver a habilidade da escrita, isto é, a capacidade de colocar no papel ideias e projetos. Trabalho que exige o uso da razão e da organização. Capacidade que se aprende com muita leitura, por isso, quanto mais cedo incentivar seus filhos ao gosto pelos livros, melhor. A leitura é o centro da educação e traz consigo o domínio do bom vocabulário, fator chave do sucesso em qualquer profissão. A diferença entre bons e excepcionais profissionais está nos valores culturais e na bagagem humanística que carregam. O hábito da leitura faz enorme diferença na carreira de uma pessoa, pois fornece variadas referências, tornando-a mais criativa.

Aliás, a criatividade, o saber olhar, aceitar e propor a inovação tem sido a primeira exigência do mundo empresarial. O excesso de ruído dos meios de comunicação – cinema, rádio, televisão, games e redes sociais – em cima dos nossos jovens está tirando o tempo de estarem sozinhos e de soltar a imaginação, primeira ferramenta do criativo. Pais e filhos deverão saber separar uma coisa da outra e a usar melhor esses meios.

Os brasileiros, se quiserem um país mais próspero, precisam acabar com o preconceito contra a matemática e as ciências exatas. Saber usar a lógica, dominar as funções operacionais, ler estatísticas, balancetes e as funções financeiras são exigências primordiais. Lidar com os números e interpretá-los nos dá condições de realizar melhores julgamentos e a resolver problemas com mais facilidade. A matemática faz o mundo ter sentido e razão.

Será fundamental conhecer a ciência e as suas aplicações práticas e comerciais. Tudo o que vemos à nossa volta é fruto de alguma conquista científica. Desde cedo, habitue seu filho a valorizar o uso das pesquisas e o trabalho dos cientistas. A educação científica cuidadosa está moldando novas nações e economias mais fortes. Nossas pobres feiras escolares deverão se sofisticar para atrair e ajudar nossos jovens a percorrer o caminho que as outras nações já percorreram.

A geografia, matéria que sempre foi relegada, agora, com a internet ligando os países, passa a ser fundamental. Ela nos faz entender as conexões entre os povos e os seus diferentes comportamentos. Conscientiza sobre o meio ambiente, as fontes de recursos e a necessidade de proteger o planeta. Por outro lado, viagens internacionais, hoje mais acessíveis, exigem fluência em idiomas. O convívio com outros países expõe a diversidade da multicultura e nos torna mais tolerantes com o diferente. Os filhos da nova geração precisarão entender o que temos em comum e em divergência com os outros povos. A chave para este entendimento é a educação.

É preciso dar às crianças, não só ferramentas tecnológicas, mas ensinar-lhes habilidades éticas e interpessoais: normas de educação, cidadania, civilidade e a capacidade de se adaptar e ser flexível. Criar a capacidade de escutar, e participar de equipes respeitando e reconhecendo as expectativas dos outros. Entender como e porquê as coisas acontecem.

Os jovens deverão saber que o estudo é para sempre, que o aprendizado continua muito tempo depois de saírem da escola e que não existe o “cortar caminho na carreira”. Ninguém se transforma em executivo bem sucedido do dia para a noite.

Pais devem prover a casa em um lugar rico para o aprendizado, dar suporte material na forma de livros, revistas e equipamentos. Interessar-se pela vida escolar dos filhos ajudando-os a encontrar os seus propósitos de vida. Os jovens estão perguntando cada vez mais se o que estão aprendendo agora irá ajudá-los a enfrentar o mundo real. Voltando a pergunta: “O que será do meu filho?” – Victor Hugo escreveu: “Nada melhor do que um sonho para criar o futuro.”

 

 

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