Blog do Eloi Zanetti – Consultoria, Palestras e Artigos de Marketing, Criatividade e Vendas

Blog do publicitário e escritor Eloi Zanetti. Consultoria, palestras, artigos e tudo o que você precisa saber sobre marketing e vendas. Curitiba – PR | Rua Senador Saraiva 78 | Telefone 3026-0222

  • RSS
  • Linkedin
  • Facebook
  • Twitter
  • E-mail

Quadro de: Anita Malfatti

Perguntado por um empresário que estudava uma possível associação com um grupo europeu, sobre o que poderia oferecer na negociação como diferencial, respondi de pronto: a nossa mestiçagem. A resposta tanto a ele quanto a mim causou surpresa.

Logo em seguida passei a enumerar a nossa enorme vantagem em sermos mestiços. Disse que saber lidar com um país tão diversificado, composto por tipos humanos tão variáveis, tolerantes entre si, que aceitam e dividem ao mesmo tempo diferentes credos e ideologias sem intransigência, é a nossa força.

E que esta forma de encarar o outro e as suas diferenças, não se importando com a cor, raça, religião ou classe social, de forma tão amigável, é o que nos torna tão singulares. Assimilar esta mistura de pessoas e de comportamentos é entender o Brasil.

Somos pródigos em misturar cores, comidas, músicas e, com certeza, estilos de administração e modos de realizar negócios. Que outro país coloca à mesa, sem constrangimento, churrasco, sushi, macarrão e feijoada? Ou dispõe de mais de 120 tipos de pizza num só cardápio? Quem tem a audácia de mesclar o verde e o rosa para simbolizar as cores de uma escola de samba?  Stanislaw Ponte Preta, um dos nossos maiores cronistas, retratou esta ingênua coragem em “O Samba do Crioulo Doido”. É nisso que somos fortes, sabemos lidar muito bem com a própria mestiçagem.

A diversidade de raças no Brasil, hoje, já é uma vantagem competitiva e com certeza será maior ainda no futuro. Aceitar o outro como ele é e saber conviver com isso são habilidades exigidas pela globalização. “Mas os Estados Unidos, Canadá e Austrália também não são países mestiços?” –  você poderia perguntar. A nossa diferença é que a mistura brasileira é mais misturada. As outras raças que aqui chegaram, seguiram o exemplo dos portugueses e se miscigenaram também. Vêem-se japoneses casando com polonesas, alemães com negras, italianos com caiçaras e seus descendentes se misturando mais ainda. Ora, se a família de cada brasileiro é composta por elementos tão diversos, vamos aceitar as famílias dos outros e o jeito de ser da sociedade como ela é.

Ouvi há tempos o comunicador empresarial e diretor da Aberje, Paulo Nassar, fazer uma belíssima preleção sobre as formas de comunicação mestiças que existem no país, uma tese que ele formulou e está sendo seguida por quem tem juízo e enxerga longe.

Voltando à pergunta do meu amigo empresário sobre o que podemos oferecer às empresas que querem se associar a nós e fazer negócios no Brasil, um dos trunfos nacionais, na hora da negociação, é saber navegar por este mar imenso de diversidade, comportamentos e costumes. Fazer negócios no Brasil é saber lidar com diferentes culturas ao mesmo tempo e intuir, corretamente, qual o próximo passo daquele com quem se está negociando. Imagine um suíço todo certinho conversando sobre empreendimentos com um baiano de manhã, com um gaúcho à tarde, e jantando com um paulista, à noite. Não entenderá nada e talvez até perca o sono.

Ao lidar com europeus, americanos ou asiáticos temos uma previsão meio certeira sobre os seus comportamentos, pois eles são previsíveis. Um estrangeiro ao lidar com brasileiros se atrapalha, a nossa linguagem é subentendida e aquilo que parece ser quase sempre não é. O mimetismo da floresta foi incorporado à nossa maneira de ser.

Olhando de fora, nosso país parece uma imensa bagunça, um ambiente caótico, mas sabe se arrumar sozinho e seguir em frente. Para nós, que nascemos aqui, é mais fácil entender o sistema brasileiro de negociar.

E agora, com o mercado popular em rápido crescimento, falar com este imenso povo de maneira correta vai ser primordial. É isso que a gente tem para oferecer aos nossos parceiros que chegam – conviver bem com a nossa mestiçagem e ter orgulho disso.

Meu amigo empresário é neto de turcos, seu pai casou-se com uma italiana e ele, por sua vez, com uma polonesa. Seu filho namora uma sansei. Por isso, gostou tanto dessa análise.

Você poderá gostar também de:

  • márcio

    Olá,

    Justo uma retificação: seria possível corrigir a legenda do quadro que ilustra seus dizeres? é simpático da sua parte dar os créditos à Anita Malfatti, mas quem o pintou foi Tarsila do Amaral.

    Um abraço!